Das coisas que menos gosto, uma delas é ficar com informações preciosas só para mim. Então, aí vão as coordenadas da comunidade do Tapuio, no Maranhão, para quem interessar possa. Não sem antes contar que trouxe de lá uma garrafa cheia de tucupi para fazer a chamada ‘garrafada’, que é a pimenta curtida no tucupi. Usa-se como tempero ou simplesmente como molho de pimenta diretamente na comida. E sementes de vinagreira, que já plantei, e também é muito utilizada como tempero. Daqui a algum tempo, quando ela brotar linda e forte, uso, fotografo e mostro aqui. E, claro, trouxe bastante farinha de mandioca torrada, feita lá mesmo, com grãos maiores, e a farinha de mandioca que eles chamam mimosa, porque é muito fina, para fazer pirão.
Voltei cheia de tesouros. O maior de todos foi saber que o Zé Maria, lá no Tapuio, ensina em sala de aula, com a autoridade de professor, porque é que aquela criançada mora no paraíso. E isso, construir a consciência do valor pessoal e social daqueles pequenos seres e seu entorno, não tem preço. Assisti durante quatro dias a comunidade de 150 famílias da beira do rio utilizar, incansavelmente, a casa de farinha comunitária do quintal do seu Zequinha para a fabricação de farinha para uso próprio e excedente para venda. Vi regras claras serem seguidas, pois eles não são uma cooperativa: a casa de farinha foi construída pela família do Zé Maria, que abre seu uso para toda a comunidade, desde que eles se respeitem (quem brigar, está fora), mantenham o lugar devidamente higienizado e deixem farinha referente a 10% de sua produção total como pagamento. E ninguém fica lá tomando conta de quanto é que se produziu e quanto é que se está deixando. O que vale é a confiança. Recebi da Amanda , princesa de apenas oito anos, instruções precisas sobre o preparo de pratos típicos.
A volta já me rendeu um prato feito de mandioca ralada crua, junto com queijo coalho Balkis, também no ralo grosso, recheado com cogumelos e pimentão vermelho, tudo embrulhado em folhas de couve (já que eu não tinha a de bananeira...). Deixei amigos, ganhei mais alegria, e meu ingrediente preferido vai virar livro! Quem quiser saber mais sobre o Tapuio e o trabalho do Zé Maria nos Lençóis Maranhenses,dê uma espiada no vídeo acima. Foi por meio dele que descobrimos esse pedaço de Brasil onde a mandioca ainda reina soberana.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Algumas pessoas dizem que estão com dificuldade de comentar pois ficou complicado.
Então, eu vi no blog Come-se da Neide um jeito muito prático, que eu reproduzo aqui, pedindo licença para ela:
"Obrigada por comentar. Se você não tem um blog nem um gmail, comente mesmo assim: Quando aparecer "Escolher uma identidade" logo abaixo da caixinha de comentários, basta clicar na opção nome/URL. Não precisa colocar o URL, a não ser que você tenha um endereço que queira divulgar. Se quiser uma resposta particular, deixe também seu email que entrarei em contato." Obrigado Neusa e obrigado a você pelo seu comentário.