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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Alternativa criativa na ceia de Natal


salada de cuscus marroquino
Na véspera de Natal, com um bocado de trabalhos para entregar e, de repente, caiu um carrinho de supermercado no meu pé. Tive que parar tudo e colocar o pé prá cima porque doeu...Agora já está tudo bem, mas consegui concluir os testes para a ceia de natal e parar depois disso. Pensei em propor algo bem diferente do peru, tender, farofas, arroz com amêndoas e afins. E ficou uma delícia! Usei muito queijo Balkis. Só não deu para fazer a sobremesa, que pretendo concluir hoje que já estou dando conta de ficar em pé! E claro, assim que ficar pronto também coloco aqui.

files de cajú
Então, ficou assim: salada de cuscus marroquino com legumes e queijo coalho Balkis, arroz selvagem com aspargos brancos e queijo burrata Balkis, filés de caju com molho arómatico equeijo da serra Balkis, purê rústico de cenoura com gengibre, erva doce e queijo mascarpone Balkis.
O filé de cajú foi o mais interessante. Me inspirei em uma receita de peixe grega: substituí o peixe pelo caju desidratado e o sabor ficou incrível. O queijo da serra Balkis foi para o forno junto com tudo e ficou sensacional.

arroz selvagem
Se você está cansado da mesmice natalina pode confiar: vai fazer sucesso.
Faltou a sobremesa que logo mais vou testar e dividir com vocês. As receitas estão lá no site. E vamos cozinhar, que os convidados estão quase chegando...

purê rústico de cenoura

domingo, 27 de novembro de 2011

Aula na Casa Cor Trio


Gostei muito de ir dar aula na Casa Cor Trio na semana passada.  Como o tema era Itália, fiz três receitas usando os queijos italianos da Balkis: tomates recheados com abobrinha, berinjela e queijo Lunarella Balkis, farfale com limão, espinafre, amêndoas e queijo Burrata Balkis e tiramissú de maracujá com queijo Mascarpone Balkis.
Quando o objetivo é ensinar rapidamente, o interessante é apresentar as várias etapas de um único preparo desmembradas. Isso dá trabalho, mas mostra direitinho as técnicas para alguns ingredientes que, se bem entendidas no seus princípios, poderão ser aplicadas mundo das invenções afora.
Eu gostei, as pessoas gostaram e o queijo Burrata com seu sabor levemente azedo desmanchando por cima do macarrão com as amêndoas crocantes foi uma delícia. A Lunarella ficou escondida e o Mascarpone colorido de amarelo.
Encontrei com o chef Eudes Assis do restaurante Seu Sebastião, em Maresias, litoral norte do estado de São Paulo que me contou de seu projeto social 40 crianças em Camburi, também no litoral norte. Este é o espírito da gastronomia. Descobrir, desenvolver e espalhar conhecimento e alegria por aí.
As receitas da aula da Casa Cor Trio estão no site da Balkis. Se você ainda não sabe o que fazer no Natal pode aproveitar o domingo e começar a testar algumas delícias para a festa.

domingo, 13 de novembro de 2011

Tâmara com mascarpone


Por detrás deste blog, há gente muito bacana, que tem bastante paciência comigo e minha ignorância internáutica...Pois foi para eles que fiz esta foto, quando estava passeando pelas ruas de Istambul e deparei com deliciosas tâmaras secas. Um dia contei para a Bruna e o Vitor sobre as tâmaras israelenses que havia encontrado no Mercado Municipal de São Paulo: caras, porém muito gostosas. A expressão de interrogação deles acordou em mim a consciência de que a intimidade com qualquer assunto pode nos tornar pretensamente esnobes...eles não sabiam o que era tâmara, assim como eu não consigo usar muitas das ferramentas deste blog, apesar de eles me ensinarem sempre, com muito humor e paciência...

Naturais de regiões desérticas, as tamareiras são palmeiras praticamente veneradas. Nunca comi uma fresca, mas tem a lenda de que  um beduíno resiste três dias, andando no deserto, com uma única tâmara: no primeiro dia, ele come a pele; no segundo, o fruto; e, no terceiro, o caroço”... O caroço deve ser difícil, mas a verdade é que ela é mesmo supercalórica  e de digestão lenta, por causa da complexidade dos açúcares que possui. E que a tornam deliciosa.
Lá, em Istambul, havia tâmaras iranianas, israelenses e egípcias. Eram deliciosas, enormes e baratas...
E, hoje, na minha feira de rua, aqui mesmo em São Paulo, comprei delas e comi com nozes, mel de uva e queijo mascarpone de sobremesa. Delícia!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sal azul do Irã e azeite de semente de abóbora


Sal azul do Irã

Quando você estiver lendo este post eu já estarei bem longe...Tão longe que resolvi postar as minhas oitavas maravilhas do mundo, já que é lá para o oriente que estou indo. Foram presentes da Talita, que andou viajando e se trouxe de volta. Isso só, já teria sido um presente e tanto!
Mas, ela conhece um pouco as minhas paixões gastronômicas e me trouxe logo duas: sal e azeite. O sal entrou no primeiro lugar do ranking dos meus sais: é azul, uma verdadeira pedra preciosa. É raro e sua extração vem de uma mina de sal na província de Semman, no Irã. A coloração azul ocorre durante a formação da estrutura cristalina do sal devido às grandes pressões nos depósitos de sal. Os cristais fraccionam a luz e aí o azul  (que é causado por uma ilusão ótica) se torna visível. Para usar é ralar no ralo bem fino, só um pouquinho.
O azeite, minha gente, é um caso a parte...veio da Áustria e eu não conhecia, não. De semente de abóbora, muito saboroso, perfumado e lindo. Parece uma redução de aceto balsâmico na espessura e uma tinta rara na cor. Aparentemente é marrom, mas quando se espalha na louça branca aparece um tom de verde profundo. É incrível. E delicioso. Usei um pouquinho dele para colorir e aromatizar um recheio que fiz com queijo mascarpone Balkis.

Fico pensando como é lindo 'esse mundo de meu Deus', como diria Guimarães Rosa. E de quantas coisas maravilhosas ele é feito. Prometo ficar bem atenta as maravilhas que aparecerem no meu caminho pela Índia para contar tudo aqui. Depois, na volta, até porque nessa altura eu já fui.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Invenção de última hora

Parece que o relógio do tempo deu uma enlouquecida. Pelo menos o  relógio do meu tempo tem andado muito depressa. Hoje foi aniversário da minha nora querida e eu queria convidá-la para jantar na minha casa. Mas, meu dia estava lotado de tanto trabalho...Entre uma coisa e outra corri até o bairro da Liberdade para comprar cogumelos e, só agora, depois de tudo terminado é que tenho a foto do que queria postar aqui. Às segundas feiras dou aula até nove da noite. No pouquíssimo tempo que tive adiantei o que pude, a Marcela ajudou e  saiu.
Fiz uma massa de quiche (tem receita lá no site), enchi de queijo mascarpone Balkis e, por cima, coloquei os cogumelos salteados no azeite com aspargos. Ficou bom. E a gente pode abrir uma garrafa de vinho e comemorar.Fui salva pelo queijo mascarpone Balkis. Não ia dar tempo de recheio nenhum. Servi cogumelos quentes e mascarpone levemente aquecido. Funcionou muito e todo mundo adorou. Na necessidade dá para  inventar coisas boas..
E agora vou dormir porque amanhã o tempo continua correndo atrás de mim...



terça-feira, 5 de julho de 2011

Chocolate bom, made in Brasil


Foi assim: concorremos ao prêmio da Prazeres da Mesa na categoria "artesão da gastronomia" em pé de igualdade de qualidade com outros produtores. Foi uma alegria poder ser finalista e ver o trabalho da Balkis despontar junto com pessoas preocupadas em oferecer o melhor ao consumidor final. Nosso empenho comum é construir, juntos, um mercado estável e confiável para a gastronomia no Brasil.

Os vencedores vieram lá da Bahia, da zona do cacau. E vencereram com o chocolate Amma. Já contei aqui que fui dar um curso de culinária na fazenda de cacau do pai da Patrícia, "irmã" baiana. Fiquei deslumbrada com o cacau. Se você nunca viu uma plantação de cacau iria ficar que nem eu. É uma cultura que só cresce à sombra de árvores. E árvores muito grandes. Ao adentrar na mata para conhecer de perto o cacau fui tomada pela mágica daquele ambiente fresco pintado em multitons verdes. O cacau é a perfeita sinergia da terra, da mata e da fruta. Um cacau é maravilhoso: as cores vão mudando conforme a variedade e o ponto de maturação. Aberto, reflete completamente o ambiente em que nasceu e cresceu: a polpa que reveste as sementes é branca e úmida, deliciosa. Os baianos têm o previlégio de ter o suco de cacau, que é feito dessa maravilhosa polpa. E as sementes, aquelas que vão resultar no chocolate, são amargas e escuras como a terra. Vou dizer, é uma loucura.

O processo é lindo e os cacauicultores do sul da Bahia são guerreiros dos bons. O cacau daquela região foi acometido por uma praga chamada vassoura de bruxa que dizimou completamente toda a lavoura e a vida de muitas pessoas...foi uma tristeza. Mas, veja você, a Amma levou o prêmio de artesã da gastronomia! Avalie o esforço, durante todos esses anos, para trabalhar e acreditar que seria possível vencer a praga e voltar a ver os pés de cacau produzindo. E mais, cacau de qualidade.

Por isso, o prêmio para a Amma é na verdade para toda essa gente que acreditou e trabalhou muito para que o cacau do Brasil ressurgisse das cinzas.

Nós perdemos, é verdade. Gostaríamos de ter ganho, é verdade. Mas o cacau brasileiro ganhou. Parabéns para o pessoal da Amma e para os cacauicultores do sul da Bahia.

O negócio é que a Amma mostrou que dá para fazer um bom chocolate, aqui mesmo. Agora temos um chocolate incrível feito aqui mesmo sem adição de gordura vegetal hidrogenada, com textura, maciez e sabor dignos da premiação. E começamos a pensar em mudar a nossa tradição que é exportar a matéria prima (sementes do cacau) para os grandes europeus fazerem chocolates maravilhosos que depois custam muito caro quando voltam para nós.

 

E para comemorar a construção do mercado gastronômico resolvi juntar tudo de bom em uma única preparação: pera recheada com queijo mascarpone Balkis com ganache leve de chocolate amargo Amma feita com creme de leite Balkis. Concorrentes no prêmio e parceiros na criação de delícias.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Tiramissu da Patrícia


Recebi esta receita da Patrícia Galvão, que substituiu o café por chocolate na clássica receita de tiramissu. Fala, Patrícia: "...há algum tempo mudamos a receita original pela idéia do meu patrão em substituir o café pelo leite com nescau preparado bem forte. Foi ótimo, pois todos que não tomam café adoraram a idéia...".

A idéia do patrão da Patrícia de incluir as pessoas com restrição a cafeína no tiramissu foi bem legal. Eu substituiria o nescau por um chocolate sem açúcar, já que a receita original leva o café forte sem acúçar. E o mascarpone pede ingredientes a altura dele, eu penso. Melhor ainda se o chocolate for amargo.

Infelizmente não é fácil encontrar chocolate em pó amargo nacional no mercado. A Kopenhagen tem um chocolate amargo em pó maravilhoso e eu não consigo entender por qual motivo ele não é comercializado fora do modelo "chocolate quente" nas lojas da própria Kopenhagen. Em São Paulo se comercializa algumas marcas belgas, colombianas, asiáticas e africanas de chocolate que são excepcionais. E muito caras, também. Sei que São Paulo tem um universo comercial na área de gastronomia que não é bem a realidade do resto do Brasil. Mas cozinheiro é maluco e faz loucuras por ingredientes...quando tiver a oportunidade, não deixe de experimentar. Aí está a receita da Patrícia.

Tiramissu da Patrícia

Ingredientes:
390g de queijo tipo mascarpone Balkis
750 ml de creme de leite fresco pasteurizado Balkis
5ovos (gemas separadas e claras batidas em neve)
1 pitada de sal
2 caixas de biscoito de champanhe com açúcar fino
2 xícaras de (chá) de açúcar
+4 colheres de açúcar
1 xicara e meia (chá) de leite com Nescau preparado bem forte
1 xicara de (chá) de licor amareto (ou outro licor de amêndoas) para umedecer os biscoitos
cacau em pó para polvilhar
Obs: Pode substituir o cacau em pó por outro chocolate em pó mas o sabor não vai ser o mesmo.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Gonçalves, sul de Minas Gerais

Vixe! Não sei nem por onde começar. Tenho tanta coisa boa prá contar...

Fazia tempos que eu combinava de ir fazer macarrão com minha amiga Tanea lá em Gonçalves, Minas Gerais. Por um motivo ou outro nunca dava certo, mas esta semana resolvi fazer dar, e fui. Feliz da vida por sair um pouquinho do ar sujo e seco de São Paulo.

A Bia (amiga querida), passou prá me pegar e as cores foram mudando ao longo da viagem. Estava tudo florido e paramos no caminho para comer um pão de queijo frio...A decepção foi total. Mas a fome era grande e encaramos. A surpresa veio na primeira mordida; frio, porém maravilhoso. Puro queijo! Só em Minas é que se encontra um pão de queijo de beira de estrada frio e bom...Não fiz a foto do coitadinho frio, em compensação o jasmim no quintal parecia um ser vestido para festa. E o aroma...

Cheguei com fome no restaurante Kitanda Brasil da minha amiga Tanea Romão. Lá, ela desenvolve um trabalho lindo com a culinária típica do sudeste em suas releituras hipercriativas. Já imaginou compota de jiló com queijo mascarpone (ela usa Balkis, claro) ? A Tanea já. Se é bom? De comer rezando, como dizem os mineiros...


Amigos de muito tempo é assim: mãos a obra para produzir o capeletti. Ficou incrível. Recheio generoso com queijo Minas Padrão Balkis ralado no ralo grosso e bem homogêneo. Olha como ficaram gordinhos e lindos! Apesar da fome, fomos mesmo foi olhar a horta da Zezé antes que a luz do sol fosse embora. Que presente! Fico feliz de poder contar para vocês que, em uma cidadezinha no sul de Minas, existe uma situação utópica que é real: a cidade toda só come produtos orgânicos. Ninguém usa agrotóxicos. Acredite se quiser!


Sabe o que é pitaia? É uma fruta linda mas que não tem muito sabor...Pois a Zezé planta até pitaia! Perguntei, e ela me contou que por algum milagre do solo, as pitaias dela são bem saborosas. Se quiser saber mais dê uma olhada : pt.wikipedia.org/wiki/Pitaia


Só beleza: a almeirão roxo que eu não conhecia, a tal da couve com a moldura branca e as maravilhosas capuchinhas. Da branca e laranja que eu nunca tinha visto! Ela me disse que é uma mistura natural que se dá espontaneamente.

Pena que a foto que fiz com a Zezé ficou impublicável, totalmente sem foco! Queria que vocês pudessem ver e, talvez sentir, a delicadeza e disponibilidade com que ela nos recebeu...

Por fim, um por do sol deslumbrante e a fome que bateu forte. A Tanea fez um molho de tomates e um pão maravilhoso e nós nos deliciamos com o capeletti, uma garrafa de vinho que a Bia providenciou e um céu repleto de estrelas. Fomos dormir felizes da vida!


No dia seguinte fomos conhecer o Tiana e sua horta. Nem trator ele gosta de usar, prefere a tração animal para não trazer o diesel para suas raízes, flores, frutos e folhas. Dono de um conhecimento adorável foi me contando que o importante é a terra. E mantê-la viva é seu compromisso maior. Para não estressar a terra adotou o princípio de fazer rodízio dos produtos a serem cultivados, pois segundo ele, a terra também sofre de tédio. É preciso renovar sempre e os nutrientes vão estar disponíveis sem stress.

Já viram um galinheiro móvel? Ele aproveita o ciscar das galinhas para remexer e adubar a terra e, depois disso, uma parte do trabalho já está feito..."A pessoa precisa entender o que está fazendo". Me disse isso muitas vezes e compreendi que este é seu lema. Que funciona. Olha as mudas e o canteiro do Tiana.


E a flor de abóbora? Vou rechear com pasta cotagge Balkis e empanar. Depois posto aqui. E a abobrinha? Juro que eu não sabia que primeiro vem a semente , protegendo a área para que depois a flor e o fruto possam vir.

O Tiana me contou que todas as quartas feiras se encontram em um bar, na cidade, onde ele cozinha para a turma que lá aparecer. É conhecido como o "Bar dos Homens", mas mulher também vai. Diz a Tanea que o Tiana é um grande cozinheiro capaz de proezas no fogão tão legais quanto suas hortaliças...É o responsável por uma tal "quirerada", servida em praça pública em um determinado domingo no mês. Vou ter voltar lá para ver acontecer...

O resultado é que o tempo voou, e na hora que a gente se deu conta só dava para voltar direto, sem direito a paradas, como era o nosso plano inicial. Queríamos parar no caminho para ver o trabalho do seu Miguel com folhas de bananeiras, na fábrica da Balkis para conhecer, enfim, planos...

A Tanea reclamou que foi pouco (mas ela sempre reclama)...E na última hora ainda me deu a farinha do seu Bené de presente. Um presente que eu queria muito! Mas essa é outra história, que depois eu conto.

Viemos embora, eu e a Bia, conversando sobre a vastidão cultural que está associada a culinária e de como precisamos que ela sobreviva para que a gastronomia seja possível! Como as tradições orais se mantem vivas em volta do fogão, de geração à geração em uma criação ininterrupta e maravilhosa. E o tempo sempre vai ser curto para abarcar esta imensidão. Resultado: oba, vou ter que voltar!