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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Banana da terra com queijo coalho




Minha filha menor está de férias pelo norte do país e me contou desta delicia que comeu lá em Boa Vista, Roraima. Disse como é que eles tinham feito a tal banana, que ela não sabia dizer ao certo qual era, pois não era nenhuma das que conhecia por aqui. A mais próxima, disse, era a banana da terra.

A base fiz igualzinho ela falou, mas temperei com pimenta, coentro e pimentão. Fritei uns pedacinhos de queijo coalho Balkis no azeite e coloquei por cima. Comi com farinha de uarini, pois ela me disse que tinha comido com uma das quatrocentas e setenta e duas opções de farinha d'água que encontrou por lá...
O bom do Brasil é que no meio de tantos regionalismos alguns conceitos regionais se tornaram nacionais. E farinha com banana é um deles.
O ano está começando e, na hora que servi o purê de banana da terra com farinha de uarini, pensei no meu sonho de fazer um livro escavando receitas Brasil afora para um mesmo ingrediente, que ajude a compreender as preferências regionais no âmbito nacional... Além de constatar, em mim, uma característica nacional: saudades... Ainda bem que ela dividiu a receita e soube apreciar o que a região tinha para oferecer. E, eu, coloquei o queijo na minha versão, mas fiquei sem o beijo...
Ah, e a receita é simples demais. Corte a banana com casca em rodelas e cozinhe em água até que amoleça. Escorra a água, descasque a banana, bata no liquidificador sem adicionar nenhum líquido e tempere como quiser. Frite o queijo coalho Balkis no azeite e, se tiver farinha de uarini prá comer junto, sorte sua.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Alternativa criativa na ceia de Natal


salada de cuscus marroquino
Na véspera de Natal, com um bocado de trabalhos para entregar e, de repente, caiu um carrinho de supermercado no meu pé. Tive que parar tudo e colocar o pé prá cima porque doeu...Agora já está tudo bem, mas consegui concluir os testes para a ceia de natal e parar depois disso. Pensei em propor algo bem diferente do peru, tender, farofas, arroz com amêndoas e afins. E ficou uma delícia! Usei muito queijo Balkis. Só não deu para fazer a sobremesa, que pretendo concluir hoje que já estou dando conta de ficar em pé! E claro, assim que ficar pronto também coloco aqui.

files de cajú
Então, ficou assim: salada de cuscus marroquino com legumes e queijo coalho Balkis, arroz selvagem com aspargos brancos e queijo burrata Balkis, filés de caju com molho arómatico equeijo da serra Balkis, purê rústico de cenoura com gengibre, erva doce e queijo mascarpone Balkis.
O filé de cajú foi o mais interessante. Me inspirei em uma receita de peixe grega: substituí o peixe pelo caju desidratado e o sabor ficou incrível. O queijo da serra Balkis foi para o forno junto com tudo e ficou sensacional.

arroz selvagem
Se você está cansado da mesmice natalina pode confiar: vai fazer sucesso.
Faltou a sobremesa que logo mais vou testar e dividir com vocês. As receitas estão lá no site. E vamos cozinhar, que os convidados estão quase chegando...

purê rústico de cenoura

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Índia made in Brazil

Neste final de semana estou envolvida em evento de literatura, música, dança e comida indianas. E a parte mais difícil, prá mim, é inventar. A culinária indiana no Brasil é fraca e os ingredientes são díficeis, para não dizer impossiveis. Vai daí, que eu tive uma idéia bizarra, mas que ficou ínteressante.

Pensei em fazer o evento apenas com diferentes pratos que envolvam arroz (o que mais os indianos comem!). Depois mudei de idéia. Mas olha só o que saiu: bolinho de arroz, enrolado e cozido no vapor na folha de shisso (totalmente japonesa), recheado com chutney de tomate e pedacinhos de queijo coalho. Ficou interessante. O shisso tem sabor de cominho, que é uma especiaria superutilizada na Índia; o chutney é deles mesmo; e o queijo coalho é a nossa contribuição.


Depois eu mostro, aqui, as outras comidinhas que vão fazer parte do evento. E, graças à Neide Rigo, vou poder utilizar umas folhinhas de curry de verdade em alguns pratos. Ela me contou onde tem um pé de curry em plena rua de São Paulo...

terça-feira, 22 de março de 2011

Comida Árabe




Faz tempo que tenho vontade de escrever sobre comida árabe, mais especificamente, sobre o que a gente se acostumou a nomear como tal. O Brasil, em sua permeabilidade, abraça o que chega como se fosse seu, desde sempre. Várias civilizações contribuíram para a construção da nossa identidade gastronômica. E os árabes fazem parte disso. A gente incorporou tão naturalmente alguns itens do cardápio árabe que nem se pergunta como é que eles entraram na nossa vida e qual a origem da coisa toda.

Aquilo que reconhecemos como sendo comida árabe vem de países como Líbano, Síria, Palestina e Jordânia: quibe, esfiha, coalhada seca, hommus, tabule, babaganuche, falafel, mijadra, kafta, michuí, fatuche (que originalmente era uma salada de pão velho), pão sírio, pão folha e outros pães, halewi, molhos de tahine, uma infinidade de doces a base de pistache, damasco, figo seco, tâmara, nozes, snoubar (que é como eles chamam o pinoli) mel, semolina, muita manteiga e águas de flor de laranjeira e rosas, etc, etc, etc...Originalmente, a carne mais utilizada é a de carneiro, mas as adaptações feitas aos diversos lugares aonde as comidas aportam é que dão graça à viagem. Aqui, o quibe é de carne bovina, a kafta idem e o michuí tem de frango também. Claro, que tem carneiro, mas pouco. Eu gosto é da combinação de ingredientes com alto poder nutricional e repletos de sabor e aroma.


Zattar
 Pouca gente sabe, mas o “curry” do árabe é a zattar: uma mistura de ervas que muda de região para região e aromatiza tudo. E o trigo, ingrediente supernutritivo, que está em várias preparações é a base de muitas coisas além do quibe e do tabule. Tem a sopa de trigo em grão com grão de bico (kish quech, não sei se é assim que se escreve!), para dias muito frios.

A receita com grão de bico mais popular entre nós é o hommus, apesar da minha preferida ser o falafel, que considero o acarajé árabe, porque o princípio de execução é o mesmo. Os laticínios não ficam atrás com a coalhada seca e o chich barak, aqueles mini capelletis de carne de cordeiro cozidos na coalhada, mas que também pode ser recheado com ricota.

Os árabes não vieram em levas migratórias como os japoneses ou italianos, mas por eles mesmos. A bisavó do meu marido trouxe com ela um pilão de mármore (imagine só, uma senhora viúva, cheia de filhos, carregar um pilão de mármore na sua mudança para outro país...), para pilar o trigo...Sabe como é na casa do árabe? Comida, comida e comida. E se você não come, é ofensa, ofensa e ofensa...

Sempre acho que é de se admirar esses povos que vêm de longe, deixando para trás seus amores, sua língua, sua terra, quase tudo. Mas, sempre trazem a comida, porque por meio dela é como se trouxessem de tudo um pouco...

Bom, a Simone pediu, e lá vai a receita do kibe de abóbora (adaptações são infinitas!) com queijo Coalho Balkis. Lá na praia usei Lunarella, mas hoje, só tinha coalho. Ficou bom igual!



Quibe de Abóbora

Ingredientes

  • 450 grs de abóbora cabochan
  • 2 folhas de louro
  • 3 cravos da índia
  • 150 grs de trigo para quibe
  • 1 cebola
  • 50 gramas de nozes
  • ½ maço de salsinha
  • 1 pimenta dedo de moça
  • 70 gramas de queijo coalho Balkis
  • azeite de oliva extravirgem (qb)
  • sal (qb)
  • limão (qb)
  • gengibre (qb)


Modo de Preparo:

Corte em pedaços pequenos e cozinhe a abóbora no vapor com casca. Na água do cozimento coloque as folhas de louro e os cravos da índia.

Coloque o trigo em água potável e leve ao microondas por 5 minutos

Corte a cebola em brunoise (cubinhos bem pequenos)

Higienize a salsinha, seque e corte o menor que conseguir.

Corte as nozes, mas deixe pedaços pequenos e inteiros.

Rale 70 gramas de queijo coalho Balkis no ralo grosso.

Retire as sementes da pimenta dedo de moça e faça tiras muito finas das duas metades. Em seguida, corte em cubos bem pequenos.

Rale um pedaço de gengibre.

Escorra o trigo em peneira fina.

Quando a abóbora estiver bem cozida, amasse-a quente e misture todos os ingredientes de forma que fiquem totalmente homogêneos. Salgue, coloque limão e azeite a gosto.

Em um refratário, coloque metade do quibe, o queijo na seqüência, terminando com a outra metade do quibe. Passe a faca e corte o quibe, antes de assar.

Asse a 180 graus e divirta-se!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A folha de mandioca!


Lembram da folha da mandioca? Pois ela chegou prá mim. Gente, vocês não imaginam como é bom. O caminho das pedras em relação a mandioca, segundo a Tanea e a Neide Rigo é assim: no sudeste não se encontra a mandioca brava, por isso, se você é do sudeste pode ir sem medo. Se estiver no norte ou nordeste e não souber diferenciar a mandioca brava da outra, com certeza, perto de você deve haver alguém que conhece muito bem a diferença: certifique-se ou consulte a Neide Rigo. Aí, branqueie as folhas passando-as rapidamente em água fervente e depois, imediatamente em água gelada. Branqueamento é um processo químico interessante e bem útil e te explico direitinho, se você me perguntar. Aí, faça uma marinada com azeite e limão e deixe elas descansarem algumas horas na marinada. Pronto, pode usar. Fica muito bom!

A Tanea me deu umas poucas folhinhas prá eu experimentar...e também me contou um jeito que ela comeu a folha da uva lá na França, e que eu não conhecia. Resolvi experimentar e vou contar que é uma delícia com a folha da mandioca também: chapeada, recheada com queijo. Elas eram pequenas, então, tive que colocar umas quatro ou cinco bem juntinhas prá poder rechear, fechar e chapear. Recheei com queijo minas frescal Balkis e zattar, aquele tempero árabe que é feito de várias especiarias juntas, tipo uma masala indiana. E o charutinho, recheei com arroz com cúrcuma, queijo coalho Balkis e zattar, na falta do jambu, que é o que eu queria originalmente colocar. Hummm, bom demais!

Aí me veio uma lembrança. Uma vez, fiquei hospedada no sul da França na casa de uma senhorinha, madame Geourgeout, que tinha no seu quintal várias árvores frutíferas e até uma nogueira. Ela fazia as próprias geléias a partir da produção de frutas do seu quintal e eram todas incríveis. Ela também tinha uma parreira enorme, com folhas lindas. Perguntei se ela fazia charutinho de folha de uva e ela nem nunca tinha escutado falar a respeito, apesar de ter morado por alguns anos na Argélia, país majoritariamente de população muçulmana. Lembro que, com uma pedrinha do jardim, ensinei prá ela como enrolar o charutinho que ela poderia rechear com arroz e carne como o tradicional, ou inventar o que bem entendesse. Meu pensamento me levou, de novo, à constatação da enorme plasticidade nos hábitos alimentares dos brasileiros. Olhaí a gente falando em charutinho de folha de mandioca. Não é incrível?

Com este verão abrasador que estamos atravessando este é um prato delicioso porque pode ser servido frio, junto com uma salada cheia de folhas e até algumas frutas. Não tem mandioca, nem onde arrumar delas? Tudo bem, é uma boa época para encontrar folhas de uva nas feiras livres, nos mercados gastonômicos e, se está em São Paulo, capital, no mercadinho municipal — em frente ao Mercadão —, ou até inventar com outras folhas (já sabe, na dúvida se é comestível ou não, consulte a Neide).

Faça uma salada de cuscus marroquino com passas, castanhas, bastante salsinha, limão, azeite e sal. Sirva junto com alfaces de vários tipos - mimosa, americana, radicchio -, tomates cerejas inteiros, pingos de leite Balkis bem geladinho, folhas de hortelã e manjericão, cenoura em tiras bem fininhas (passe as cenouras na extensão dela toda no próprio descascador de cenoura que fica linda!), um pouco de baby leaves (brotos de várias folhas - agrião, beterraba, rúcula, frissé) e manga palmer cortada em julienne. Tempere tudo com um bom azeite, um limão cheiroso, sal e enfeite o seu final de semana com queijo e folhas de apresentações diversas: cozidas e cruas!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Mandioca e espinafre


Pela manhã, recebi um telefonema da minha amiga Tanea, do restaurante Kitanda em Gonçalves, sul de Minas Gerais. Ela está fazendo um cardápio com ingredientes amazônicos. Imagine um daqueles bazares onde se encontra de tudo, das coisas mais surpreedentes às mais triviais. Pois bem, assim é a cabeça da Tanea quando o assunto é comida e criação. Outro dia ela me perguntou se eu já tinha usado a folha da mandioca em alguma preparação. Lembrei que, na época em que morei em uma chácara tinha uns pés de mandioca e, o pessoal de lá, usava a folha da mandioca refogada.

Pois bem, a Tanea trocou uma idéia com a Neide Rigo (a sra sabe tudo das plantas comestíveis), para se certificar de não usar a folha da mandioca brava e já preparou a versão brasileiríssima do famoso charutinho de folha de uva árabe, só que com a folha da mandioca! (Eu conhecia a versão mineira do charutinho de couve... ) Ela disse que vai passar por aqui prá me mostrar e me dar umas folhas para eu experimentar. A minha versão vai ser com castanha do pará, queijo coalho Balkis e arroz com muita erva. Pensei que seria legal se eu tivesse um pouquinho de jambu prá colocar no arroz e ressaltar a picância característica dela. O jambu é aquela planta que amortece a língua e é usada tradicionalmente no famoso "pato no tucupi", lá no Pará. Vamos ver como fica. A Tanea diz que o dela ficou incrível. Quando fizer a experiência coloco aqui.

Tem uma receita lá no site da Balkis (http://www.balkis.com.br/) em que juntei espinafre e mandioca. Por conta disso, me lembrei do post de 06/10/2010 onde contei um pouco sobre a Índia e seus aromas e sabores. Tinha uma turma pedindo a receita do palak panner que está publicada no mesmo post. Já recebi notícias das aventuras de algumas pessoas e seus palaks, mas ninguém me mandou a foto. Hoje fiz dele, só que, como não tinha queijo fresco, usei queijo coalho Balkis passado no azeite com cúrcuma. Ficou uma delícia e desta vez fotografei antes que acabasse...


Agora vou ficar devendo o charutinho de folha de mandioca mas, logo logo ele aparece por aqui também.




quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Festa de criança


Na semana passada fiz uma festa de criança que ficou muito legal. Começava na hora do almoço e eu me coloquei a missão, quase impossível, de alimentar crianças e adultos com alguma coisa que tivesse o caráter de festa e não fosse uma montanha de frituras e bobagens! Que fosse lúdico e ao mesmo tempo saudável.

Dei muitas voltas e acabei por me decidir por uma mesa de doces para criança nenhuma colocar defeito e, assim, eu as conquistaria para as minhas propostas salgadas! Tinha brigadeiro de floresta negra, de amaretto, tradicional, de banana com chocolate, de castanha de baru, beijinho, maçã do amor, algodão doce, cupcakes de geléia vermelha, amêndoas doces enroladas nos lindos papéis de mesa, gelatinas de três cores nos copinhos e nem lembro direito o que mais. Ficou lindo. O bolo, foi o chef Marcelo quem fez. Era pão de ló de chocolate rechado com mistura de creme patissier (clássico creme amarelo de leite com ovos e baunilha em fava) e creme fouetté (coloquei lá no site da Balkis uma sobremesa de chantilly de iogurte com calda vermelha onde ensino a fazer o creme fouetté). O bolo tinha cobertura de ganache de chocolate meio amargo e splits da Callebaut, (são quadradinhos de chocolate meio amargo), que arrermataram as laterais. O Marcelo não ficou no evento porque estava alimentando os clientes do café onde trabalha lá na Vila Madalena. Mas eu levei um pedaço do bolo para ele provar, porque ficou um arraso.

Bem, crianças conquistadas com a mesa de doces piscando para elas e pronto! Ficaram super receptivas aos salgados que foram servidos: biscoito de polvilho no saquinho, mini esfiha de ricota Balkis com cogumelos paris frescos e escarola, mini esfiha de carne com iogurte, mini hambúrguer de soja com receita da Helena Rizzo feito com alho porró e arroz integral, bolinhas de queijo enroladas e assadas na massa filo, mini muffin salgado, espetinhos de queijo coalho Balkis passados no azeite, mini penne com molho de tomate fresco e manjericão servidos em cumbuquinhas individuais e mais alguma coisa que, com certeza, já esqueci!

Uma vez, em um workshop de final de semana ensinei moqueca de caju. Entre os participantes estavam duas crianças que acompanhavam suas mães. E o espanto dos adultos foi geral quando elas cozinharam, experimentaram e ainda por cima, gostaram!

Na festa da semana passada nenhuma criança quis saber especificamente do que era esfiha que elas gostaram tanto! Anunciou-se que era de queijo e essa informação foi suficiente! No meio da brincadeira era apenas um sabor gostoso que combinava com aquela alegria toda! E nesse espírito, comeram de tudo.

E eu, adorei. Por isso, não venha me dizer que criança só gosta de bobagem porque não é verdade. Comida bem feita e bem apresentada também tem aprovação dos pequenos, e como dizia minha avó, "é de novo que se torce o pepino"! Senti um calor bom no coração e me senti uma super heroína, capaz de vencer mais um megahipersuperdesafio da missão impossível: fiz uma festa de criança sem nenhuma fritura! E elas gostaram!

O Gérson e a Márcia que trabalharam comigo com a eficiência de sempre fizeram as fotos, mas ainda não me mandaram. Quando chegarem, eu mostro prá vocês.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A farofa e a França

Você sabia que a gastronomia francesa foi considerada pela Unesco "bem cultural imaterial da humanidade" no final do ano passado? Pois é, eu não sabia. No mesmo artigo, soube que, exatamente agora, quando esse bem cultural foi reconhecido por uma instituição internacional que colocou os holofotes sobre ele, também é o momento em que na França - pasme - 3 milhões de pessoas (acredito que devam ser majoritariamente imigrantes) são vítimas da desnutrição e vivem com o auxílio alimentar público! Esse paradoxo me deixou chocada e me levou a refletir sobre nós, brasileiros, e a nossa praia gastronômica e culinária.

Os chefs de vanguarda projetam o Brasil como o futuro da gastronomia mundial. Entre outros motivos, estão a extensão do nosso terrítório e diversidade de ingredientes que se encontra nele e a criatividade das pessoas que povoam esses lugares. Claro que o momento histórico mundial é complexo, mas não podemos perder de vista o que de mais importante e estruturante nós temos em direção a essa projeção de vir a ser o futuro : o prazer do compartilhar. Gostamos de dividir informações, ensinar e aprender com os outros, sentar à mesa com os familiares e amigos, cozinhar juntos, ter "a" receita especial da família, do pastel da feira, do acarajé da baiana preferida, do pão de queijo da esquina, do festival do moti em Londrina, de um elenco inumerável de outras maneiras que inventamos de produzir coisas boas que garantam o pulso vivo dos encontros, onde o alimento faz parte e, às vezes, é central.

Só depois do alimento garantido é que se pode pensar em aprimorar o paladar. A realidade traz diferenças, mas já temos gente muito bacana espalhada por este Brasil imenso implantando projetos incríveis para o desenvolvimento e a manutenção da arte de se alimentar. Eu conheço cooperativas no cerrado, no semi-árido, nos litorais, nas Gerais, no Amazonas fazendo trabalhos maravilhosos com seus frutos, suas farinhas, seus peixes e o que mais houver. Trabalhos com gente da terra que chega nos restaurantes importantes das grandes cidades e valoriza ainda mais o que tem valor!

Para que na hora de comer a gente possa se debruçar cada vez mais sobre o que temos de melhor, no lugar de virarmos "audiência para a solidão" na frente da televisão, como diz o Arnaldo Antunes e que é o mais penso quando imagino as 3 milhões de pessoas desnutridas na França!

Minha querida Rose foi de férias ver a família no interior da Bahia, em uma cidade chamada Bonito, e me trouxe duas jóias de presente: farinha e pimenta. A pimenta é danada e a farinha maravilhosa. Fiz farofa com as duas e queijo coalho Balkis. Comi até...! E pensei que sou feliz de ter amigos que entendem as maravilhas que têm e gostam de dividí-las! Vou dar a receita da farofa para você fazer com a sua farinha, que tem grandes chances de ser diferente da minha - que afinal é de produção limitada lá da cidade da Rose -, mas que tenho certeza que é maravilhosa também.

Para que a gente construa ainda mais o nosso futuro, comendo cada vez melhor, em um formato que garanta, também, a alegria!



Farofa de farinha de mandioca

Coloque em uma frigideira 2 colheres de sopa de manteiga de garrafa, 3 colheres de sopa de azeite de oliva, 3 pimentas de passarinho e deixe dourar e liberar o aroma das pimentas. Desligue o fogo e coloque a farinha de mandioca, aos poucos, mexendo para que ela umideça. A quantidade de farinha depende da farinha, apenas garanta que fique úmido. Salgue.

Corte 50 gramas de queijo coalho em quadradinhos pequenos e bastante salsinha bem miudinha.
E divirta-se.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Quadradinhos de queijo coalho Balkis do Pedro


Recebi por email esta receita e as fotos da criação do Pedro. Sucesso certo, já que também veio a foto da reprodução da receita feita pela mãe do Pedro. Bons ingredientes e boas idéias...Obrigada por enviar.

"Esta receita foi desenvolvida pelo meu filho, Pedro. No último fim de semana eu fiz para meus amigos, que adoraram. Então resolvi compartilhar. É muito simples e saboroso.Veja só: quadradinho de queijo coalho com alecrim, 3 espetinhos de queijo coalho Balkis, alecrim a gosto, pimenta do reino a gosto (opcional) e azeite de oliva para fritar.

Retirar o palito do queijo, cortar na metade e depois fazer quadradinhos de 2 cms, aproximadamente.

Colocar azeite e aquecer em uma frigideira, colocar o queijo até dourar e virar. Acrescentar o alecrim e a pimenta. Desligar o fogo e servir.

sábado, 16 de outubro de 2010

Pão com queijo: versão muffin de queijo coalho Balkis


Em 16 de outubro de 1945 foi criada a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Por isso hoje, 16 de outobro, comemora-se o Dia Mundial da Alimentação. Significa que, em pleno século XXI, a fome no mundo ainda é uma realidade e uma grande organização internacional despende milhões de dólares para cuidar do assunto.

De 26 a 29 de outubro, a revista Prazeres da Mesa e o Senac São Paulo realizam o que é o maior encontro de enogastronomia das Américas. Chefs nacionais e internacionais, um público bem grande e várias empresas participam. O evento significa uma grande possibilidade para troca de conhecimentos, pesquisas e discussões de tendências.

O que tem a ver uma coisa com a outra? Tudo. No Ano Internacional da Biodiversidade, o encontro vai discutir o papel da gastronomia e sua sustentabilidade: “Sustentabilidade – o que a gastronomia pode fazer pelo planeta?” é o tema deste ano.

Tem gente que pensa que gastronomia é só futilidade. Um assunto tão abrangente como gastronomia pressupõe respostas abrangentes, que incluem processos gigantes. Quando você se senta diante de um prato para se alimentar, uma longa cadeia de elementos fundamentais está por detrás dele: a energia do sol, a qualidade da água e do solo que nutre animais e vegetais que futuramente se transformarão em alimento, muita gente plantando e colhendo, alimentando e cuidando da saude dos animais, transportando, armazenando, distribuindo...É um sem fim de atividades que se traduzem em uma única refeição.

A vida não é possível sem alimento. A gastronomia condensa toda esta enorme cadeia criativa. Transforma esse esforço todo em beleza, sabor, aroma, equilíbrio e alegria para tocar a vida prá frente e fecha uma cadeia gigante quando apresenta uma preparação. Quem sabe vai chegar o dia em que tanto esforço conjunto resulte no Dia Mundial da Alimentação, com alimento para todos. E o alimento vai ser bonito, gostoso e prazeroso.

Aqui vai a receita com dois dos alimentos mais antigos de que se tem conhecimento: pão com queijo! Transformados em muffins pela inveção de chefs mundo afora!



Muffin de queijo coalho Balkis

Ingredientes
190 grs de farinha de trigo (7 colheres de sopa cheias)
5 grs de fermento (1 colher de chá cheia)
120 grsm de queijo coalho ralado no ralo grosso

130 ml de creme de leite Balkis
1 ovo
65 grs de manteiga derretida (2 colheres de sopa)

Modo de Preparo
Misture todos os ingredientes secos.
Em outro recipiente misture todos os ingredientes molhados
Unte e enfarinhe 8 forminhas para muffin
Preaqueça o forno a 160 graus
Encha 3/4 das formas com a massa
Leve para assar por aproximadamente 30 minutos.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cuscus de Canjiquinha



Hoje, fui com uma aluna à zona cerealista em São Paulo, e apresentei-a à vários ingredientes. Ela me perguntou se quirera de milho era comestível ou era só comida para passarinho. Adoro estas questões que parecem tão triviais. Um mundo de conhecimento, normalmente desconhecido da maioria, vem à tona com elas.

A quirera de milho , também conhecida como canjiquinha, é companheiríssima dos mineiros. O que em Minas Gerais é prato permanente, em São Paulo é comida de passarinho! Uma questão tão simples encerra discussões bem amplas!

Não vou abrir a discusão!!!! Mas lá vai uma receita para a quirera, ou canjiquinha, que é maravilhosa! Fica como um cuscus marroquino, só que de milho. Reinvenção da comida que nem só passarinho come...

Canjiquinha com queijo Coalho Balkis

Ingredientes para o fundo:
1 cebola pequena
1 talo de salsão
1 pedaço pequeno de gengibre
1 cenoura
1 talo verde de alho porro
1 folha de louro
2 ramos de salsinha
1 ramo de tomilho

Ingredientes para a canjiquinha:
200 gramas de canjiquinha
1 cebola
1 limão
2 colheres de sopa de salsinha
2 colhres de hortelã
2 colheres de sopa de nozes
1 colher de sopa de uva passa
1 tomate sem pele e sem sementes
1 colher de chá de manteiga
folhas de alface roxa
50 gramas de queijo coalho Balkis
sal (quanto baste)
azeite extra virgem (qb)

Modo de Preparo

Faça um caldo aromático com todos os ingredientes do fundo. Corte a cenoura, o salsão e a cebola em tamanhos regulares.
Amarre com um barbante os galhos de salsa, tomilho, o gengibre e a folha de louro embalados pela parte verde do talo do alho porro. Cozinhe em um litro e meio de água em fogo bem baixinho até que os ingredientes tenham transferido sabor para a água.

Refogue uma cebola cortada bem pequena em um pouco de azeite na panela de pressão. Frite a canjiquinha, salgue, acrescente o 400 gramas do líquido e cozinhe por 10 minutos.

Enquanto isso, corte a salsinha o menor que conseguir. Reserve. Corte as nozes.

Retire a casca e as sementes do tomate e corte-o em cubos pequenos.

Corte o queijo coalho Balkis em cubos pequenos, como o tomate.

Lave e seque as folhas de alface.

Após o cozimento da canjiquinha solte-a com um garfo e um pouco de azeite. Misture os outros ingredientes, tempere com limão, sal e azeite e sirva junto com a alface.