quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Flor de orégano



 Olha o presente que ganhei na linda luz de verão do final de tarde...Não conhecia a flor do orégano e prá melhor dizer nem sabia que dava flor. E essa aí veio se apresentar na floreira da minha cozinha, plantada pela minha filha Marcela e cuidada por nós todos. Não é uma delicadeza? E superaromática!


Me inspirei, e fui até o supermercado comprar um queijo lunarella, uns tomatinhos e um pão saboroso prá comemorar a primeira florada de orégano que vi na vida. Reguei tudo com um fio de um azeite incrível (presente de Natal da Telma), e mais um pouquinho de sal azul do Irã ralado por cima (presente da Talita)com uns pistaches crocantes. Sucesso, delícia!
Se você não conhecia a formosura, taí, agora já sabe como é. E que é fresca e cheirosa.
                                                

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Esfiha e generosidade

Já fez os planos prá 2012? Agora que a comilança começa a declinar comecei, de novo, a pensar em cozinhar.
Pois eu quero começar o ano contando a história que me aconteceu hoje, meu primeiro dia de trabalho.
Vou fazer um evento no próximo sábado e a Júlia, que vai cuidar da decoração, não podia ir às compras, então me aventurei na loja de tecidos. Não entendo nada de alturas e larguras duplas, mas fui tentar.
A correria começou logo no primeiro dia do ano, então, às 17h ainda não tinha almoçado e estava com fome! Parei o carro em frente ao Mercado Municipal (raridade que nunca tinha acontecido antes na vida) e, ao atravessar a rua, me deparei com um empório árabe novo. Resolvi comer uma esfiha, que estava ótima e, quando fui pagar, não tinha dinheiro nenhum e eles não aceitavam cartão nenhum... fui correndo até o banco ao lado mas já estava fechado... meu talão de cheques foi vítima de um óleo que virou dentro da bolsa e estava inaceitável. A confusão estava armada: já tinha comido e não tinha como pagar.
E aí veio o melhor início de ano: o dono me disse: 'quero que você se torne minha cliente. Não tem problema, da próxima vez que vier por aqui, volte e me pague. E se gostou, pode comer de novo!'.
Quem mora na selva de pedra sabe bem o que isso significa: bons ventos chegando com o ano novo. Além de comida gostosa, mais solidariedade e confiança.
Adorei. Claro que nesta semana mesmo vou voltar, pagar e comer mais. E fazer a  foto prá colocar aqui. E ainda me inspirei: esfiha de ricota com massa folhada. Vou fazer com ricota Balkis e passar a receita. Da generosidade do dono não consigo a receita, mas fica o registro. Bom ano para todos nós!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Ping pong de comidinhas


Ufa! O furacão chamado natal/ano novo quase acabou prá mim. Foi tudo uma delícia, mas, invariavelmente, cansa...Hoje entreguei minhas últimas encomendas e agora, só mais uma aula na quinta feira e acabou! Ando precisada de um descanso de cozinha e fui jantar no Ping Pong, um restaurante chinês de dim sum, que é uma massa muito fina, cozida no vapor, mas que também podem ser frita ou assada, recheada de legume, carne, ou frutos do mar. É lindo ver os potinhos de bambu empilhados uns sobre os outros recebendo aquele monte de fumaça. Diz a lenda que é uma tradição muito antiga na China (mas o que não é antigo na China???), e o significado da palavra em cantonês é ‘tocar o coração’. Feitos artesanalmente, os dim sum são adoráveis. O melhor é um bolinho de arroz enrolado na folha de lótus: o princípio de que a folha transfere o sabor dela ao alimento neutro dá muito samba nessa combinação.
Se você fechou a cozinha para balanço, limpeza e sossego das assadeiras, fouets e o seu próprio, essa comidinha é mesmo um afago no coração.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal!




Sempre fico com  a impressão que, nesta época do ano, são 20 dias de muita comilança. As pessoas precisam se encontrar antes do natal e do final do ano, confraternizam antes das férias e todos os motivos do mundo aparecem em 20 dias. É interessante...
Os encontros podem ser para o café da manhã, o almoço, ou, o mais esticado jantar com a luz do sol. Tudo gira em torno do alimento. E, quem cozinha por hobby, profissionalmente ou eventualmente não escapa: acaba no fogão antes da festa.
E agora, depois de muitos encontros e comilanças chegou o natal, o maior deles. O pessoal da Balkis trabalhou o ano todo para trazer bons ingredientes e participar desses momentos que estão no dia a dia, mas agora, se apresentam com a roupa dessa festa.
Eu estive aqui todas as semanas do ano contando, palpitando, pesquisando e discutindo sobre o fazer culinário. Quero dizer que desejo a todos um natal onde o ingrediente mais importante seja a alegria e o bem querer. E claro, que a beleza e o sabor vistam a mesa. Taí o pudim de tapioca com calda de amora como sugestão de sobremesa para que a Balkis possa alegrar a festa, também no natal.
Pudim de tapioca com calda de amora:
Ingredientes
75 gramas de tapioca granulada
380   gramas de creme de leite Balkis
200 ml de leite de coco
1 colher de chá de cardamomo em pó
1/4 de fava de baunilha fresca
raspas de 1/2 limão siciliano
1 colher de café de raspas de limão siciliano
1 lata de leite condensado
2 ovos
2 gemas
175 gramas de amora
1 xícara de café de água
200 gramas de açúcar
Modo de Preparo
Hidrate a farinha de tapioca no creme de leite Balkis por 3 horas.
Passado este tempo, misture bem o leite condensado e o ovo, o cardamomo as raspas do limão siciliano e a baunilha. Reserve.
Na própria forma, caramele o açúcar e coloque as amoras e a água depois da caramelização. Espalhe a calda pela forma e despeje a nela os outros ingredientes.
Asse em banho maria no forno a 160 graus por aproximadamente 40 minutos ou até que fique firme.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Alternativa criativa na ceia de Natal


salada de cuscus marroquino
Na véspera de Natal, com um bocado de trabalhos para entregar e, de repente, caiu um carrinho de supermercado no meu pé. Tive que parar tudo e colocar o pé prá cima porque doeu...Agora já está tudo bem, mas consegui concluir os testes para a ceia de natal e parar depois disso. Pensei em propor algo bem diferente do peru, tender, farofas, arroz com amêndoas e afins. E ficou uma delícia! Usei muito queijo Balkis. Só não deu para fazer a sobremesa, que pretendo concluir hoje que já estou dando conta de ficar em pé! E claro, assim que ficar pronto também coloco aqui.

files de cajú
Então, ficou assim: salada de cuscus marroquino com legumes e queijo coalho Balkis, arroz selvagem com aspargos brancos e queijo burrata Balkis, filés de caju com molho arómatico equeijo da serra Balkis, purê rústico de cenoura com gengibre, erva doce e queijo mascarpone Balkis.
O filé de cajú foi o mais interessante. Me inspirei em uma receita de peixe grega: substituí o peixe pelo caju desidratado e o sabor ficou incrível. O queijo da serra Balkis foi para o forno junto com tudo e ficou sensacional.

arroz selvagem
Se você está cansado da mesmice natalina pode confiar: vai fazer sucesso.
Faltou a sobremesa que logo mais vou testar e dividir com vocês. As receitas estão lá no site. E vamos cozinhar, que os convidados estão quase chegando...

purê rústico de cenoura

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Festas

                                             
Neste final de semana fui para Brotas, interior do estado de São Paulo, para a festa de aniversário de uma grande amiga. Ficamos na pousada da filha dela, antiga fazenda de café com horta, curral, pomar e fogão a como não podia deixar de ser, fogão a lenha.
Viajar pelo interior de São Paulo assusta um pouco: são quilômetros da monocultura da cana de açúcar. Dá o que pensar imaginar a quantidade de culturas que deixaram de ser cultivadas...
A cultura popular brasileira tem muitos elementos que foram totalmente incorporados, adaptados ou simplesmente serviram de inspiração à gastronomia nacional. E sem dúvida, o rei do cozimento lento é o fogão a lenha. Os alimentos passam por transformações ao serem submetidos ao calor. Tempo e armazenamento de calor provocam modificações específicas, dependendo do alimento.

Mas, o que mais me chamou a atenção não foi o aspecto técnico, mas o humano do fogão a lenha. Até porque ele não foi usado como fogão mas como apoio e rechaud para servir. Reuniu as pessoas em volta dele para troca de receitas, impressões sobre alimentos e contação de "causos".
Daqui há alguns dias todos nós estaremos sentados com nossas famílias e amigos para algumas refeições. E como "nem só de pão vive o homem" o poder gregário do fogão a lenha ajuda a alimentar nosso outro lado fundamental, assim como o por do sol do qual me empanturrei!
Como aqui, "em que se plantando tudo dá",  a cana de açúcar move carros e estômagos. E as iguarias que  recebemos diariamente vão vestir roupa de festa para se reinventar, como o tempo. E por falar em reinvenção, lá na fazenda, em cima do fogão a lenha, tinha uma das tortas de queijo mais gostosas dos últimos tempos!
Mãos à obra! Inventar e reinventar delícias para partilhar com o chantilly da vida: amigos e famílias! E para o chantilly literal,  creme de leite Balkis!


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Lentilha Negra

 
Desde que cheguei de férias tenho cozinhado bastante. Mas, no sábado passado, me empolguei com  coragem da Cris que me encomendou um jantar com cardápio indiano. Perguntei se ela conhecia seus convidados e respectivas preferências e a resposta foi que eram todos desconhecidos. Ela não conhecia nenhum deles! Avisei sobre o perigo de servir algo tão especificamente apimentado e ela resolveu correr o risco.
Fiquei um pouco insegura mas,  topei. E graças a ajuda de muita gente boa, foi ótimo. O mais legal é que os convidados se abriram para a experiência nova e gostaram.
O maior sucesso do jantar foi uma lentilha negra indiana que eu não conhecia até minha última viagem para lá. De grão muito duro, ela precisa de horas de cozimento. Fiz como experimentei  em Haridwar: lentilhas negras cozidas  lentamente no leite. Com muitas especiarias e pimentas. Acontece que o leite em cozimento lento carameliza os açúcares que contem. Junto com os condimentos e a pimenta é a conta certa. Ficou
incrível  e foi o prato mais apreciado. Agora, tenho que voltar prá Índia para trazer mais lentilha negra...
E só tenho fotos graças a minha xará que sempre dá um jeitinho de fotografar as comidas quando me dá o prazer de vir trabalhar comigo. No meio da correria do empratamento ela puxa o celular e clica. Aí está: lentilha negra cozida lentamente no leite. Vivendo e aprendendo. Pena que ainda não inventaram foto com cheiro.