quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Tradições e sopa



Acho que vou virar meteorologista...A primavera chegou e as temperaturas despencaram. Semana passada no calor de 35 graus do final de inverno eu disse bem isso aí...
Passeando naquele calorão da semana passada pelo "Revelando São Paulo", que aconteceu lá na Vila Guilherme, diante de vários caldinhos típicos pensei na minha sopinha, que hoje, diante do frio, vai acontecer! O "Revelando São Paulo" é um evento que não é novo, não. Neste ano comemorou 15 anos de existência trazendo para a capital gastronômica do país as comidas típicas do estado todo. Este ano foram mais de 200 municípios que vieram mostrar suas culinárias, artesanatos e manifestações maiores como apresentações das "folias" do dia de reis e do divino, entre outras apresentações culturais marcantes da riqueza que é o interior. E sempre, sempre, sempre, toda vez que pessoas se juntam para celebrar alguma coisa, a comida vem junto: é um único fenômeno.O sucesso do Revelando revelou uma multidão de gente que foi no Parque do Trote. Cada vez mais gente tem interesse em saber o que se passa com os vizinhos de estado, de região, de país. O mundo com muito mais comunicação possibilita isso. E é uma beleza, eu acho, a gente poder se reconhecer como povo no bolinho de chuva comum na infância de uma enormidade de paulistanos, ou no "buraco quente" presente nos aniversários de gente que não acaba mais por este estado de São Paulo.
Meu sonho é ter um fogão a lenha na cidade. Lá, tinha biscoitinho de nata, café moído e passado no coador na hora e tudo aquilo que o paulistano adora no café da manhã. Porque, o nosso galo não canta muito mais por aqui, mas a padaria é a nossa praia, logo cedinho, antes do trabalho, ou no meio da manhã para encontrar um amigo, na hora do almoço para um lanche rápido ou mesmo para almoçar, no meio da tarde para uma broa com café, ou no final do dia para uma sopinha reconfortante. Isso, que hoje achamos na megalópe tem origem no interior do estado de onde afluíram milhares de pessoas com seus hábitos. A cidade é louca, engole a gente com seu ritmo mas, temos refúgios em várias esquinas. Para um paulistano é estranho lugar que não tem padaria...
Bom minha gente, o frio voltou e vou aproveitar e fazer sopa de ervilha vermelha com coentro e cenoura com queijo cottage temperado com ervas porque a tradição pode ser reinventada incansavelmente! Até mesmo quando novas temperaturas revelam tão drasticamente as bobagens que nós, seres humanos andamos aprontando no planeta...aiaiai!



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Corações e inverno quentes



A semana passou e eu nem vi. No começo dela me contei a história que "iria" várias coisas, mas agora, sexta de madrugada, vi que ainda estou devendo muito prá mim mesma, e que não vai dar mais tempo.
Em compensação, trabalhei muito satisfeita a semana toda. E, entre tudo que fiz, esteve um almoço quinzenal ou mensal ( a vida tem dado ritmo próprio à este projeto), que fiz com o Marcelo e a Marcela - que entrou superbemvinda de gaiata neste navio -,  aqui, na minha casa. Cansados de atender aos pedidos alheios, há uns três meses atrás, decidimos satisfazer as nossas próprias vontades: de testar, compartilhar, desestressar e cozinhar por prazer, deleite e interesse profissional também. Então, inventamos da nossa cabeça, anunciamos e abrimos a casa para a festa. Saímos, compramos o que tem, e produzimos uma comida gostosa. Pronto! Simples assim.
O resultado é que, seja qual for o resultado, descobrimos que gostamos de trabalhar com respeito mútuo aos nossos impulsos criativos - que acatamos tranquilamente -, que queremos manter as nossas cabeças abertas para acertos, erros, aprendizados e que é possível fazer isso, sim! Fora, que é uma delícia se sentir dono de si mesmo e ver os amigos conhecidos, e, os desconhecidos que logo se tornam amigos, gostando de experimentar o que nós gostamos de inventar...
De tudo o que fizemos, o que mais gostei foi o pão da Marcela e o sorbet de côco que o Marcelo inventou: com raspas de limão, alecrim e côco fresco. Para o final de inverno com temperaturas de 35 graus, foi a sobremesa perfeita. Também a gente vai ter que lidar com as novidades que o planeta vai apresentando como resposta a tanta bobagem que fazemos por aí. Sorbet de côco bem gelado no inverno e, quem sabe, uma sopa bem quentinha quando a primavera chegar e as temperaturas despencarem? Sei não, minha gente, mas que o final de semana seja de descanso para quem vai descansar e de trabalho bom prá quem vai nele. Eu, por exemplo!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Lixo que produz luxo!

 
 
 
Para mim, pão sempre foi um mundo à parte. É um assunto grandioso como tudo que faz parte da história desde muito tempo. É tanto conhecimento agregado que, as vezes, não sei se acontece só comigo, mas fico até um pouco deprimida. Sabe quando uma coisa é muita? Muita idéia, muita realização, muito conceito, muito tudo? Fico zonza e o efeito dessa 'zonzeira' é que me desinteresso. Mas, quando não penso tão grande e foco em uma única técnica e receita e me sinto capaz de aprender, incorporar o conhecimento e me apropriar dele, me dá alegria de novo. Será que só eu que sou assim?
Digressões a parte, este post é para contar do pão incrível que ganhei do meu novo amigo, Marcelo "Du Pain" Lopes, um eterno apaixonado por pães. Imagine uma massa muito saborosa e úmida, com um acento levemente doce e  azedo ao mesmo tempo. Imaginou? Era assim. Pois ele  fez um pão de cevada (malzbrot) a partir de um bagaço que ganhou de alguém. Que bagaço, né? Foi a minha pergunta prá ele. É do malte da cevada moída  que, após o cozimento, resulta no malte que entra na composição da cerveja - e é usado como alimento para gado ou adubo, ou seja, não é totalmente descartado nas cervejarias. O Marcelo contou que leu alguns relatos de cervejeiros artesanais, que também gostam de fazer pão e utilizam esse bagaço na produção de pães artesanais. Foi exatamente o que ele fez: adicionou o bagaço à massa do pão para acrescentar sabor e aroma. E, a mágica aconteceu.  Mais uma para a infinidade de possibilidades de se fazer um pão! Porém, um bom pão já é outra história... E, aí, peguei meu restinho de mascarpone, passei naquela delícia e a viagem começou, uma mordida após a outra. Era daquele tipo de pão que provoca expressões de satisfação sonoras enquanto é comido e a sensação de que a vida é simples e absolutamente perfeita!
E quem souber aí onde encontrar bagaço da cevada moída, que é lixo para as cervejarias artesanais que não têm gado para alimentar, avise a gente, eu e o Marcelo, que estamos interessados nele.

 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Pão sem trigo e sem ovo!


 
Ontem a tarde entrei na cozinha e vi um pão lindo em cima da minha bancada. Estava sozinha em casa, e não entendi nada. De onde tinha aparecido aquele pão? Mistério resolvido: tinha sido minha filha menor, que tinha encontrado com o amigo, que é padeiro (como ele próprio se define), que tinha mandado o pão!
Bom, o trabalho do Danilo eu conhecia. Ele, a mãe e a irmã têm uma indústria de pães sem glúten e atendem celíacos, hospitais, etc. Outro dia o Danilo me acompanhou em um evento e fez um pão com farinha de arroz, amêndoas e damasco que foi um sucesso. Mas esse  aí era diferente. Liguei para o Danilo querido (ele é muito querido, vocês não têm noção da qualidade da alma da pessoa!), para agradecer e me informar melhor. Ele contou que era uma experiência e que ele mesmo não tinha experimentado. Pois bem, aqui em casa já acabou. Um pão sem trigo que tem tamanhão de pão, cara de pão e, como o outro, também é bem gostoso. A massa é de farinha de grão de bico com tomate desidratado e ervas finas que dão aroma e sabor deliciosos.
Quando experimentei lembrei da Maria Eduarda, daquele blog "sem glúten, por favor", e achei que tinha que espalhar a boa notícia. Comi com queijo fresco e azeite de oliva.
E o post é prá contar também para os não celíacos, que tem gente nesta cidade fazendo coisa boa prá quem curte experimentar o diferente. Imagine um pão com farinha de grão de bico, sem ovo,  bem saboroso,  que dá para servir  tranquilamente como base de aperitivo. É legal perceber que algumas necessidades específicas criam possibilidades que ultrapassam as respostas em si. Esse é o espírito humano, se virando para lidar com limites...adoro ver isso acontecer. Obrigada, Danilo. Adorei!
Se quiser tentar a receita ou experimentar dos pães sem trigo olhe lá no site deles!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Reverências às facas


 
Passei vários dias sem cozinhar direito porque quebrei três dedos da mão: dois na direita e um na esquerda. Estava só fazendo coisas que exigissem pouca prática e habilidade, pois minhas valiosas mãos tiraram férias de mim.
Elas ainda doem, mas já dá para algumas aventuras. Ao pegar minha mais importante ferramenta e começar o meu trabalho, vi que minha faca estava sem fio. Ficou esquecida pela cozinha e mais gente deve ter feito uso indevido dela (porque ela é só minha, se me entendem...). Não tenho problemas em dividir nada, mas a minha faca é exclusiva. Aí, me dei conta da emoção que senti quando, na área egípcia do museu Metropolitan, vi a exposição de materiais cortantes em pedra, pré-históricos da região do rio Nilo.


Todo mundo sabe que os egípcios foram grandes agricultores no passado, mas imaginar que nem o Egito existia quando da datação destas peças e que o homem já estava cortando para comer e preparar, me arrepiou. Há quanto tempo estamos, enquanto espécie, elaborando esses instrumentos e quão pouco eles mudaram deste que chegamos nesta forma, convencionalmente chamada  hoje em dia, de faca? Algo em torno de anos dez mil anos...só para falar da forma faca propriamente dita. Se viajarmos para o período paleolítico onde as pedras faziam a função, o negócio vai ainda mais longe...Mudando um pouco de assunto mas ilustrando a beleza do período império egípcio, olha só este prato de bolo em alabastro..


Por isso, ao pegar hoje a minha faca lembrei que lá, peguei a máquina fotográfica e registrei tudo para dividir aqui com vocês. O ato trivial e o mais corriqueiro na cozinha, cortar, é das aquisições mais remotas da inteligência humana...
Pois é! Parei, escrevi, e agora volto para minhas berinjelas que são loucas para tirar o fio das facas, como se elas não tivessem muita importância, as anciãs dos utensílios, capazes de promover grandes transformações no nosso modo de vida. Até hoje.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Escondidinho de açaí

Um cozinheiro quase nunca inventa as coisas sozinho. Leu, viu, intuiu, trabalhou junto com alguém e aí sai uma coisa nova. Foi assim com o escondidinho de açaí. Ganhei da Talita um montão de açaí sem nenhum açúcar (raridade por esses lados do país). Aliás, os produtores de açaí poderiam começar a pensar no mercado gourmet que gostaria de ter a opção de comprar açaí puro, sem guaraná e sua montanha de açúcar. Eu me incluo na lista de compradores...Tinha feito em um evento com o Marcelo, escondidinho de goiabada. Na  verdade, ele tinha aprendido como Luís Felipe em outro evento Sabe aquela brincadeira do telefone sem fio? Então, virou escondidinho de açaí, desta vez! Aí vai a receita:

Ingredientes:

400 gramas de açaí
4 bananas naninas
250 gramas de creme de leite Balkis
2 colheres e açúcar
360 gramas de queijo mascarpone Balkis
granola

Modo de Preparo
Leve ao congelador o creme de leite, o recipiente a ser utilizado e um fouet,ou o fouet da batedeira, se for usar uma, por 20 minutos.
Bata o mascarpone com o açúcar e reserve refrigerado.
Bata o creme de leite até que fique firme e misture delicadamente ao mascarpone. Refrigere por, no mínimo, 2 horas.
Imediatamente antes de montar a sobremesa, bata o açaí com a banana no liquidificador até formar um creme.
Monte em recipientes transparentes da seguinte maneira: creme de mascarpone, creme de açaí, creme de mascarpone e um pouquinho de granola por cima de tudo. Sirva imediatamente.












domingo, 12 de agosto de 2012

Dia dos pais




Hoje é dia dos pais, de novo. Não me lembro de comemorações de dia dos pais com o meu, pois eu era bem pequena quando ele ficou doente e morreu. Minhas lembranças são pouquíssimas: uma viagem a Cabo Frio, um mar imenso em uma curva alta, onde paramos o carro e olhamos as tartarugas lá em baixo. Do cheiro de salsinha fresca picada para o omelete quando ele chegava mais tarde do trabalho e a janta já tinha sido servida. E o inesquecível macarrão aos domingos depois da matinê dos filmes do Tom e Jerry no cinema do bairro que me rendeu o vício: sou cinéfila até hoje. As minhas memórias são poucas, é verdade, mas são todas muito boas. 
Especialmente neste dia dos pais, a comemoração tem um brilho a mais para mim: é o primeiro dia dos pais do Pedro, meu filhote, como pai! E vamos ter um pai novo e uma filhinha, bem novinha. Já está imaginando o tamanho dos guardanapos, né? Pode pensar nos maiores que conseguir, porque a babação vai ser grande!
Se puder, aproveite seu pai todos os dias e no dia dele! Aqui em casa a sobremesa vai ser escondidinho de açaí com creme de mascarpone Balkis!
Tem muito pai por aí cozinhando hoje para e com seus filhos. Feliz dia dos pais à todos eles, aos que cozinham, aos que não cozinham, aos que estão presentes e à lembrança daqueles que nos fez presentes , e que apesar de já não estarem mais aqui, de certa forma continuam em nós e nas gerações que vêm por aí!