Já falei aqui no blog sobre o meu amor pelo milho. Vale a pena experimentar receitas e leituras com esse "rei".
No Paladar, do jornal 'O Estado de São Paulo', uma literata e um chef da pesada se juntaram para explorar este ingrediente. Veja lá.
A comunidade ligada à gastronomia, amadores ou profissionais, vem utilizando queijos Balkis em suas receitas. Isso aconteceu de forma tão gostosa e natural que resolvemos criar este blog. Assim, aqueles que gostam de gastronomia, em qualquer nível, podem trocar receitas, dicas e opiniões. Sejam muito bem-vindos!
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Milho de novo e sempre
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Rodrigo Oliveira
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Era uma vez...
Imagine: um jantar para 12 mil pessoas. Imaginou? Ótimo! Continue imaginando: o mesmo jantar, com cardápio super diversificado no qual cada convidado come exatamente o que gostaria naquele dia. Difícil, não é?
Some a essas duas características a qualidade de todos serem amigos, sentarem-se ao lado de pessoas queridas, divertirem-se muito, com comida e bebida muito boas.
Ah, o ambiente! Imagine: chique. Mas um chique que não é pernóstico nem esnobe, apenas chique pela própria natureza do lugar. Com música boa e ao vivo e lugar à vontade para dançar, caso você queira.
E lugar à mesa para todos. E toalhas e guardanapos brancos para todos. E flores brancas para enfeitar. E cada convidado se veste como quiser desde que use roupa branca. No final da tarde com a maravilhosa luz de verão. E ao anoitecer, que cada um tenha uma estrelinha, daquelas que as crianças ganham no São João, e uma vela para acender em sua mesa. E acendam juntas suas estrelinhas e embelezem mais ainda a festa.
Ah, e quando a festa acabar, já imaginou a trabalheira? Muita?
Já desistiu só de pensar no dia seguinte e no batalhão de gente na limpeza e organização? Dá medo só de pensar, né? Então imagine que em um passe de mágica a festa acabou sem deixar vestígios. E aí, topa fazer essa festa, se for assim?
Se você conseguiu imaginar isso está convidado a, no mínimo ,assistir a comprovação de que isso não é um sonho. É o ‘diner en blanc’ a festa parisiense que vem crescendo ano a ano, se realiza em meados de junho em Paris (Nova York e Toronto estão copiando o modelo para organizar as suas). Este ano já aconteceu, na praça em frete a igreja de Notre Dame, e no pátio interno do museu do Louvre.
Funciona assim: o local é secreto até o último momento. Os organizadores se encontram, em local também secreto, e determinam aonde vai ser. Como um rastro de pólvora a notícia se espalha para os convidados que já estão a postos, apenas esperando o comando para saber para onde ir. E então, carregando a própria mesinha, toalha e guardanapo brancos, utensílios, comida e bebida, a multidão aflui rapidamente para o local. Aí, é montar a própria mesa ao lado de outras e desfrutar: de estar vivo, do que a terra dá, da inteligência em transformar tudo em comida e bebida, de companhias agradáveis, da boa música, da beleza do lugar e da maravilhosa sensação de fazer parte. Dançar, comer, beber, compartilhar e ainda acender luzes coletivamente em um verdadeiro ritual de elegia à vida.
Até meia noite. Quando tudo acabar, as pessoas juntam os seus pertences e voltam para casa felizes da vida. Sem stress e sem deixar rastro. Parece sonho, mas é realidade. Quem duvidar é só assistir comprovar (a reporatgem é da tv francesa, em francês, mas vc vai entender tudo):
A tradição continua. Mas quanta diferença entre os banquetes da monarquia francesa dos séculos passados e os atuais... Além do que, a monarquia era o regime estabelecido e o diner em blanc é ilegal... E como quer parecer um sonho, cada participante tem a perfeita consciência de que não pode deixar rastros: nada de papel no chão, garrafas jogadas, não, não, nada disso!
A França é conhecida como o país dos queijos ...Por analogia, eu, como mediadora desse site de queijos incríveis, imagino que se começarmos a ocupar os nossos espaços públicos com simples piqueniques, um dia teremos uma coisa assim! Quem topa?
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Microrrevolução
O final de semana passado foi especial. Trabalhei em um evento com o qual estou muito comprometida. Fui fazer a comida do Encontro Nacional de Kriya Yoga, da qual sou praticante há 13 anos.
Fomos para um lugar maravilhoso, onde a natureza está intacta, graças ao esforço de muita gente. E, nesse contexto, enquanto a galera praticava ioga, eu cozinhava. Um montão de comida boa.
Era bastante gente. Então, levei comigo minha filhota menor, que é do ramo das artes formais, mas cozinha bastante bem, além de fazer lindas mandalas de morango e kiwi para o café da manhã.
Fizemos muita coisa legal, mas o melhor de tudo foi a experiência de ter na cozinha um batalhão de ajudantes, que iam se revezando ao longo do dia e das refeições. Vocês acham que eu sou louca, não é? Preciso contar que dá certo. Deu tudo certo. Com padrão e qualidade.
Não tinha nenhum profissional da coisa, exceto eu. As crianças fizeram a decoração do recheio das quiches, a salvo das temperaturas e das facas. Outros, o suco, e, sem nenhum constrangimento, aprenderam a diferenciar o mato da hortelã. Outros lavaram muita louça. Outros, ainda, mexeram o panelão da polenta (que ficou ótima e tem a receita lá no site), por bastante tempo. Confesso que, no começo, fiquei apegada à polenta, para que ela ficasse bem lisinha, mas, depois, liberei geral. Do preparo à limpeza do chão, tudo fluiu rápida, ordeira e pacificamente.
O único contratempo foi uma mandioca de última hora que comprei lá mesmo para o escondidinho (tem receita lá no site) e que era cheia de fios, horrível. Quando misturei com a que tinha levado daqui, quis arrancar os cabelos. Joguei fora e fiz de novo, só com a minha. E atrasei o almoço em meia hora. Ou seja, a única coisa errada fui eu mesma que fiz...
Quando o batalhão ia embora e ficávamos eu e a Marcelinha sozinhas, o silêncio voltava, a agitação passava e, de repente, a gente ria ao se dar conta do destempero que é essa atividade: passávamos o dia todo cozinhando, em alguns momentos tínhamos ajuda, no momento seguinte era o turbilhão do horário da refeição e, depois, o silêncio novamente. Em uma atividade ininterrupta... Mas que agrega, encanta, desafia e alegra as pessoas. Saiu todo mundo de coração quente e estômago contente.
Gracias, pessoal! Nunca tive uma brigada tão entusiasmada, eficiente e amorosa. Não comi muito, por que é tanto cheiro de comida que a saciedade vem pelo olfato. Mas meu coração também ficou quente!
E tinha um montão de Balkis na minha cozinha: palak com queijo coalho Balkis, quiches de abobrinha com creme de leite Balkis, escondidinho com queijo meia cura Balkis e quibe de pinhão com pasta de cottage Balkis. Mão-de-obra amorosa e bons ingredientes são capazes de revolucionar os paradigmas da cozinha. Adorei minha microrrevolução...
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Presentes maravilhosos
Olha só que coincidência. Comentei aqui, na semana passada, sobre o cacau da Bahia e no final da semana recebi a Patrícia, minha amiga baiana, que me trouxe uns mimos. Toda vez que ela vem, me trás a maravilhosa farinha de copioba. Mas, dessa vez, além da farinha me trouxe a semente do cacau orgânico crocante, que eles produzem lá mesmo na fazenda e é maravilhosa. E a semente do cacau torrada. E chocolates. E outros mimos.
No mesmo dia fui dar uma aula e a Cláudia Mattos, chef lá do espaço Zym, me deu essa maravilhosa especiaria turca chamada sumak que é uma planta vermelha com sabor ácido de limão muito usada na culinária turca em peixes, kebabs, aperitivos, saladas, coalhadas e o que mais sua imaginação quiser. Aliás, sumack quer dizer vermelho, por que é como a flor desta planta é. O sabor é inusitado, daqueles que vão para todos os lados dentro da sua boca.
E, prá finalizar, ganhei da Ana Cláudia temperos secos e sal. Não sei se contei que tenho loucura por sal, e já disse prá Ana que ela está me acostumando mal. Além de sal e outras coisas, a Ana me trouxe uma vez um molho de mostarda com mel que é um deslumbre. Está quase no final e estava tudo bem enquanto eu não conhecia dele. Mas agora que provei não vou conseguir viver sem...
![]() |
| No centro, sal do Salar de Yuni, da esquerda para direita sal rosa do Himalaya, negro, rosa Yuni, branco do Himalaya flor de sal com ervas |
Tantos ingredientes que, em si, são maravilhosos. Pensei em como servir algo que preservasse o sabor original dessas maravilhas. Coloquei tudo com queijo cottage Balkis, doce e salgado. Ficou gostoso.
sábado, 9 de julho de 2011
Dia da Pizza
Existem domingos e domingos....Mas este, 11 de julho é o dia nacional da pizza. Que não precisa de dia para ser comemorada, porque na realidade todo dia é dia de pizza! Pense em um número grande. Pensou? Acrescente muitos zeros. Acrescentou? Agora veja se chega perto: só na cidade de São Paulo são vendidas 1,5 milhões de pizzas por dia!!! Ou seja, é consenso no paladar de todos, todo mundo adora pizza.
Todo mundo e o mundo todo. Há muitos anos atrás um amigo contou que, chegando em Moscou, debaixo de um frio de não sei quantos graus abaixo de zero, sem falar a língua e sozinho pensou que não teria situação mais inóspita que aquela se não fosse ter encontrado uma pizzaria. Aí sentiu o coração quente outra vez... Versátil, a massa pode ser fina, grossa, crocante, fechada, aberta. É a mãe de todos os ingredientes: recebe placida e colaborativamente tudo o que a imaginação do cozinheiro conseguir pensar como recheio: legumes, vegetais, animais, folhas, frutas, doces, salgados. Pense o que quiser, mas o queijo é parte deliciosa da pizza e também aceita muitas variações.
Para comemorar fiz uma com o que tinha na minha geladeira. Ficou assim: massa, molho de tomate, ricota Balkis, queijo mussarela Balkis, queijo parmesão, folhas de escarola com aceto balsâmico e azeitonas chilenas. Ficou ótima e aqui em casa comemos com uma taça de vinho tinto. E você, vai inventar o que? Qual a sua preferida? Vê se me conta depois...
| ainda crua, na frigideira |
terça-feira, 5 de julho de 2011
Chocolate bom, made in Brasil
Foi assim: concorremos ao prêmio da Prazeres da Mesa na categoria "artesão da gastronomia" em pé de igualdade de qualidade com outros produtores. Foi uma alegria poder ser finalista e ver o trabalho da Balkis despontar junto com pessoas preocupadas em oferecer o melhor ao consumidor final. Nosso empenho comum é construir, juntos, um mercado estável e confiável para a gastronomia no Brasil.
Os vencedores vieram lá da Bahia, da zona do cacau. E vencereram com o chocolate Amma. Já contei aqui que fui dar um curso de culinária na fazenda de cacau do pai da Patrícia, "irmã" baiana. Fiquei deslumbrada com o cacau. Se você nunca viu uma plantação de cacau iria ficar que nem eu. É uma cultura que só cresce à sombra de árvores. E árvores muito grandes. Ao adentrar na mata para conhecer de perto o cacau fui tomada pela mágica daquele ambiente fresco pintado em multitons verdes. O cacau é a perfeita sinergia da terra, da mata e da fruta. Um cacau é maravilhoso: as cores vão mudando conforme a variedade e o ponto de maturação. Aberto, reflete completamente o ambiente em que nasceu e cresceu: a polpa que reveste as sementes é branca e úmida, deliciosa. Os baianos têm o previlégio de ter o suco de cacau, que é feito dessa maravilhosa polpa. E as sementes, aquelas que vão resultar no chocolate, são amargas e escuras como a terra. Vou dizer, é uma loucura.
O processo é lindo e os cacauicultores do sul da Bahia são guerreiros dos bons. O cacau daquela região foi acometido por uma praga chamada vassoura de bruxa que dizimou completamente toda a lavoura e a vida de muitas pessoas...foi uma tristeza. Mas, veja você, a Amma levou o prêmio de artesã da gastronomia! Avalie o esforço, durante todos esses anos, para trabalhar e acreditar que seria possível vencer a praga e voltar a ver os pés de cacau produzindo. E mais, cacau de qualidade.
Por isso, o prêmio para a Amma é na verdade para toda essa gente que acreditou e trabalhou muito para que o cacau do Brasil ressurgisse das cinzas.
Nós perdemos, é verdade. Gostaríamos de ter ganho, é verdade. Mas o cacau brasileiro ganhou. Parabéns para o pessoal da Amma e para os cacauicultores do sul da Bahia.
O negócio é que a Amma mostrou que dá para fazer um bom chocolate, aqui mesmo. Agora temos um chocolate incrível feito aqui mesmo sem adição de gordura vegetal hidrogenada, com textura, maciez e sabor dignos da premiação. E começamos a pensar em mudar a nossa tradição que é exportar a matéria prima (sementes do cacau) para os grandes europeus fazerem chocolates maravilhosos que depois custam muito caro quando voltam para nós.
E para comemorar a construção do mercado gastronômico resolvi juntar tudo de bom em uma única preparação: pera recheada com queijo mascarpone Balkis com ganache leve de chocolate amargo Amma feita com creme de leite Balkis. Concorrentes no prêmio e parceiros na criação de delícias.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Milho, o rei da festa
Desde tempos imemoriais, o homem reverencia o alimento. Claro, é ele quem possibilita a vida e nada mais natural do que incensar aquilo que nos mantêm vivos!
E é nessa época do ano que somos forçados a buscar, lá no fundo da memória, de onde é que vem a coisa toda...lembrei daquela música do Gil, “de onde é que vem o baião, vem debaixo do barro do chão...” E de onde é que vem o milho? Senhor absoluto das festas juninas, em forma de delícias como bolo de milho, curau, pamonha, pipoca, milho cozido, canjica, cuscuz, quirera e outras iguarias?
Pois é, se procurarmos na ciência vamos encontrar gente que diz que o milho talvez esteja por aí há 7200 anos e, com certeza, há 4000 anos. É ano que não acaba mais. E toda a cultura popular em torno dele, do plantio a colheita, é viva e alegre entre nós. Milho significa "sustento da vida” e é um coringa: ora se presta a ser estrela dos experimentos de manipulação genética ora, em regiões menos desenvolvidas, continua a ser plantado em roças da forma mais ancestral que se possa imaginar!
Foi encontrado na América e levado pelos europeus para o resto do mundo. Vi uma vez, no sul da Índia, uma festa chamada Pongal que é o São João deles: a festa da colheita do milho. Acho sempre maravilhosas as festas ligadas a terra e seus ciclos. Por isso adoro as festas juninas. Mesmo a gente que está aqui, na “selva de pedra”, urbanóides ignorantes dos processos naturais, nos lembramos que é época da colheita do milho, e por causa disso, a festa!
Bandeirinhas coloridas, quentão, queijo assado, sanfona, quadrilha, fogueira e frio. E muito milho prá gente cozinhar. Milho fresco para a festa e seco para o ano. Como hoje é dia de São Pedro fiz polenta mole para comemorar. A receita que tem lá no site é com funghi secchi e queijo Balkis Minas Padrão. A da foto fiz com queijo Serra da Balkis, mas as medidas para a polenta propriamente dita, são as mesmas. Combina com frio e ainda agrada o santo. Quer mais? Abra uma boa garrafa de vinho e desfrute da vida e do seu sustento, o milho!
E é nessa época do ano que somos forçados a buscar, lá no fundo da memória, de onde é que vem a coisa toda...lembrei daquela música do Gil, “de onde é que vem o baião, vem debaixo do barro do chão...” E de onde é que vem o milho? Senhor absoluto das festas juninas, em forma de delícias como bolo de milho, curau, pamonha, pipoca, milho cozido, canjica, cuscuz, quirera e outras iguarias?
Pois é, se procurarmos na ciência vamos encontrar gente que diz que o milho talvez esteja por aí há 7200 anos e, com certeza, há 4000 anos. É ano que não acaba mais. E toda a cultura popular em torno dele, do plantio a colheita, é viva e alegre entre nós. Milho significa "sustento da vida” e é um coringa: ora se presta a ser estrela dos experimentos de manipulação genética ora, em regiões menos desenvolvidas, continua a ser plantado em roças da forma mais ancestral que se possa imaginar!
Foi encontrado na América e levado pelos europeus para o resto do mundo. Vi uma vez, no sul da Índia, uma festa chamada Pongal que é o São João deles: a festa da colheita do milho. Acho sempre maravilhosas as festas ligadas a terra e seus ciclos. Por isso adoro as festas juninas. Mesmo a gente que está aqui, na “selva de pedra”, urbanóides ignorantes dos processos naturais, nos lembramos que é época da colheita do milho, e por causa disso, a festa!
Bandeirinhas coloridas, quentão, queijo assado, sanfona, quadrilha, fogueira e frio. E muito milho prá gente cozinhar. Milho fresco para a festa e seco para o ano. Como hoje é dia de São Pedro fiz polenta mole para comemorar. A receita que tem lá no site é com funghi secchi e queijo Balkis Minas Padrão. A da foto fiz com queijo Serra da Balkis, mas as medidas para a polenta propriamente dita, são as mesmas. Combina com frio e ainda agrada o santo. Quer mais? Abra uma boa garrafa de vinho e desfrute da vida e do seu sustento, o milho!
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