quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Reverências às facas


 
Passei vários dias sem cozinhar direito porque quebrei três dedos da mão: dois na direita e um na esquerda. Estava só fazendo coisas que exigissem pouca prática e habilidade, pois minhas valiosas mãos tiraram férias de mim.
Elas ainda doem, mas já dá para algumas aventuras. Ao pegar minha mais importante ferramenta e começar o meu trabalho, vi que minha faca estava sem fio. Ficou esquecida pela cozinha e mais gente deve ter feito uso indevido dela (porque ela é só minha, se me entendem...). Não tenho problemas em dividir nada, mas a minha faca é exclusiva. Aí, me dei conta da emoção que senti quando, na área egípcia do museu Metropolitan, vi a exposição de materiais cortantes em pedra, pré-históricos da região do rio Nilo.


Todo mundo sabe que os egípcios foram grandes agricultores no passado, mas imaginar que nem o Egito existia quando da datação destas peças e que o homem já estava cortando para comer e preparar, me arrepiou. Há quanto tempo estamos, enquanto espécie, elaborando esses instrumentos e quão pouco eles mudaram deste que chegamos nesta forma, convencionalmente chamada  hoje em dia, de faca? Algo em torno de anos dez mil anos...só para falar da forma faca propriamente dita. Se viajarmos para o período paleolítico onde as pedras faziam a função, o negócio vai ainda mais longe...Mudando um pouco de assunto mas ilustrando a beleza do período império egípcio, olha só este prato de bolo em alabastro..


Por isso, ao pegar hoje a minha faca lembrei que lá, peguei a máquina fotográfica e registrei tudo para dividir aqui com vocês. O ato trivial e o mais corriqueiro na cozinha, cortar, é das aquisições mais remotas da inteligência humana...
Pois é! Parei, escrevi, e agora volto para minhas berinjelas que são loucas para tirar o fio das facas, como se elas não tivessem muita importância, as anciãs dos utensílios, capazes de promover grandes transformações no nosso modo de vida. Até hoje.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Escondidinho de açaí

Um cozinheiro quase nunca inventa as coisas sozinho. Leu, viu, intuiu, trabalhou junto com alguém e aí sai uma coisa nova. Foi assim com o escondidinho de açaí. Ganhei da Talita um montão de açaí sem nenhum açúcar (raridade por esses lados do país). Aliás, os produtores de açaí poderiam começar a pensar no mercado gourmet que gostaria de ter a opção de comprar açaí puro, sem guaraná e sua montanha de açúcar. Eu me incluo na lista de compradores...Tinha feito em um evento com o Marcelo, escondidinho de goiabada. Na  verdade, ele tinha aprendido como Luís Felipe em outro evento Sabe aquela brincadeira do telefone sem fio? Então, virou escondidinho de açaí, desta vez! Aí vai a receita:

Ingredientes:

400 gramas de açaí
4 bananas naninas
250 gramas de creme de leite Balkis
2 colheres e açúcar
360 gramas de queijo mascarpone Balkis
granola

Modo de Preparo
Leve ao congelador o creme de leite, o recipiente a ser utilizado e um fouet,ou o fouet da batedeira, se for usar uma, por 20 minutos.
Bata o mascarpone com o açúcar e reserve refrigerado.
Bata o creme de leite até que fique firme e misture delicadamente ao mascarpone. Refrigere por, no mínimo, 2 horas.
Imediatamente antes de montar a sobremesa, bata o açaí com a banana no liquidificador até formar um creme.
Monte em recipientes transparentes da seguinte maneira: creme de mascarpone, creme de açaí, creme de mascarpone e um pouquinho de granola por cima de tudo. Sirva imediatamente.












domingo, 12 de agosto de 2012

Dia dos pais




Hoje é dia dos pais, de novo. Não me lembro de comemorações de dia dos pais com o meu, pois eu era bem pequena quando ele ficou doente e morreu. Minhas lembranças são pouquíssimas: uma viagem a Cabo Frio, um mar imenso em uma curva alta, onde paramos o carro e olhamos as tartarugas lá em baixo. Do cheiro de salsinha fresca picada para o omelete quando ele chegava mais tarde do trabalho e a janta já tinha sido servida. E o inesquecível macarrão aos domingos depois da matinê dos filmes do Tom e Jerry no cinema do bairro que me rendeu o vício: sou cinéfila até hoje. As minhas memórias são poucas, é verdade, mas são todas muito boas. 
Especialmente neste dia dos pais, a comemoração tem um brilho a mais para mim: é o primeiro dia dos pais do Pedro, meu filhote, como pai! E vamos ter um pai novo e uma filhinha, bem novinha. Já está imaginando o tamanho dos guardanapos, né? Pode pensar nos maiores que conseguir, porque a babação vai ser grande!
Se puder, aproveite seu pai todos os dias e no dia dele! Aqui em casa a sobremesa vai ser escondidinho de açaí com creme de mascarpone Balkis!
Tem muito pai por aí cozinhando hoje para e com seus filhos. Feliz dia dos pais à todos eles, aos que cozinham, aos que não cozinham, aos que estão presentes e à lembrança daqueles que nos fez presentes , e que apesar de já não estarem mais aqui, de certa forma continuam em nós e nas gerações que vêm por aí!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Comer formigas e poesia



Olha só o que eu ganhei de presente da Flavinha, que chegou de Roraima:  molho de pimenta curtida na formiga. Sim, sim. Não escrevi errado e nem você leu errado. É formiga mesmo! Das grandes. Já tinha experimentado uma farofa feita delas. Na farofa, eram as içás ou tanajuras, formigas voadoras que enlouquecem as pessoas na época da revoada. E dessa, todo mundo come: índios e não índios lá da Amazônia. Tinham um sabor amendoado bem interessante. Essas de agora,  estão no molho de pimenta, cheiram bem forte, mas o sabor nem é assim parecido com o cheiro. Usei no feijão, prá começar, porque a resistência aqui em casa foi grande.
O viés cultural da comida é um assunto em si. Comer formiga no Brasil é coisa antiga e, portanto, coisa de índio. A Flavinha me contou (na verdade me deu uma aula sobre etnias indígenas e seus costumes em relação à pimenta e à formiga!),que esta é do tipo jiquitaia, uma formiga da terra, vermelha e de mordida ardida. O negócio é o seguinte: a base do molho é tucupi puro fervido lentamente. Depois, se adiciona  formiga, pimenta malagueta amassada em pilão e se coloca prá curtir. Não se encontra dela lá em Boa Vista, não. É comum na região de fronteira (Brasil, Guiana, Venezuela), e, do lado brasileiro são os pemon, os ye'kuana e os makuxi que gostam do molho, porque os yanomami também são fãs da formiga, mas não comem pimenta. E como é uma formiga de época, os consumidores do molho de pimenta continuam usando dele quando não tem jiquitaia, mas colocam um pouquinho de carne de caça ou de peixe defumado no molho para garantir um sabor aproximado, pois o maior consumo dela é com beiju...e por aí vai, minha gente, um assunto sem fim!


A Paula e a Nana me trouxeram castanhas e farinha de uarini das férias delas, lá no Pará. E eu, juntei tudo, formigas, castanhas e farinha de ovinha, coloquei bananas da terra, coentro, leite de coco e comi de me lambuzar. E, não estava sentada em minha "escrivaninha na rua Lopes Chaves", mas, como no poema de Mario de Andrade, também fiquei comovida ao me lembrar que "lá no norte, meu Deus, muito longe de mim"  faz pouco, um homem comeu o mesmo que eu. E, este homem é brasileiro que nem eu! Vai aí o poema prá quem não conhece.

Poema Acreano
Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti uma friagem por dentro
Fiquei tremendo muito comovido.
Com o livro palerma olhando pra mim.
Não vê que me lembrei que lá no Norte,
meu Deus !,
muito longe de mim,
na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem alado, negro de cabelo
nos olhos.
Depois de fazer uma pele com a
borracha do dia
Faz pouco se deitou , está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu."


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Paradoxos e comida crua


Estou aqui buscando um jeito de contar a minha percepção do mundo da comida e também da gastronomia em Nova York. O que eu entendi, nesta rápida passagem, foi que o maior restaurante de lá é a rua. E isso é muito impressionante: no centro da cidade, em meio a prédios de centenas de andares, na  hora do almoço as pessoas ocupam as ruas e comem. Nos parques, que oferecem mesinhas e cadeiras permanentes, sentados à frente dos prédios, embaixo das marquises, por todos os lugares. São sushis com hashis e tudo, saladas, sanduíches, toda sorte de comidas prontas compradas em delicatesses esparramadas por tudo quanto é lugar. O restaurante a céu aberto ferve na hora do almoço.
Por um lado, achei incrível a movimentação, o comércio e a quantidade de comida produzida por dia. Por outro, o tanto de embalagens utilizadas diariamente para servir esse exército de gente é mais que impressionante. É um escândalo! É tanto papel e plástico que fiquei pensando em que mundo esses novaiorquinos vivem... parece que estamos em outro planeta e que no planeta Nova York não existe nenhum problema ambiental, porque a quantidade de lixo gerada em um único dia e multiplicado por todos os dias, um após o outro, é de tirar o fôlego de qualquer cidadão do planeta Terra.
Mas, também passeei por bairros mais "normais", onde se vê feira nas praças, gente andando na rua com sacolas de mercados e crianças indo para a escola. Com restaurantes supercriativos e maravilhosos. O Richard, morador local, me disse lá no Canadá: "você vai pirar com os restaurantes em NY". E me indicou uma meia dúzia deles. Era verdade. São um arraso. A foto acima é do Pure Food and Wine um restaurante gourmet de comida crua. Não é impressionante que isso possa ser possível? Em termos de gastronomia parece que nada é impossível naquela cidade. O Tadeu comeu uma lasanha de abobrinha marinada e eu flores de abóbora recheadas com sour cream e nozes. Vou tentar reproduzir a façanha com sour cream da Balkis. O produto é bom. Vamos ver se a cozinheira dá conta de chegar no mesmo resultado... Aí sim, lá no Gramercy, bairro normal de Nova York, entendi que a cidade tinha muito mais prá me oferecer do que o encontro paradoxal dos mesmos problemas que vi na Índia: muito lixo nas ruas, por exemplo. Mundo louco, né, não?

terça-feira, 24 de julho de 2012

Lar, doce lar



Cheguei na minha casa. Foi uma delícia, adoro viajar, mas também gosto muito de voltar. Sou daquelas pessoas que curtem o próprio ninho. Sou capaz de me sentir a vontade quase que em qualquer lugar, mas a minha casa tem um gosto particular.
Tenho bastante assunto e novidades para contar, mas vou começar pela volta. É o que está mais perto e foi tão aconchegante que, quase imediatamente pensei em dividir com vocês. 
Minha geladeira e meus armários estavam desabastecidos e este também foi um motivo de alegria: meus filhos cozinham e quando não estou aqui, a roda continua girando. Então, o desabastecimento significa que teve comilança. E,  fiquei sabendo até de almoços bem elaborados e amigos felizes que passaram por aqui na minha ausência.
Mas, voltando ao assunto na minha geladeira tinha batata, um maço de espinafre e um tantinho de sour cream. Azeite, o orégano cheio de folhinhas novas na floreira da cozinha. E o Tadeu ligou com o clássico "tem comida aí?". Bom, ter, não tinha. Eu estava entrando em casa naquele momento e dei sinal verde para ele vir enquanto olhava minhas pouquíssimas possibilidades.
Coloquei azeite no fundo de uma frigideira antiaderente, cortei as batatas finíssimas no mandolin por cima do azeite entremeadas com orégano fresco e flor de sal com ervas. Fogo baixo, tampado. Enquanto isso lavei um tanto de espinafre, as folhas para salada e coloquei a mesa. Dez minutos se passaram: coloquei o sour cream por cima das batatas e as folhas de espinafre cruas por cima de tudo, rapidamente. Foi o tempo dele chegar e a gente sentar para comer. Na primeira garfada não lembrei de nada. Mas, uma sensação de conforto me tomou. Respirei fundo e realizei: que gostoso, estou em casa. Aí lembrei do blog e fui pegar a máquina para fotografar a outra metade das batatas dentro da frigideira...
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(Sérgio Gonzalez - interino)