Ditados populares, às vezes, são sábios. Às vezes, não! Trabalhei no último sábado em um evento em que a beleza chegou antes dos sabores. E entre a corrida da montagem e os percalços do caminho - que foram alguns -, percebi que não existe ditado popular mais falso do que o "beleza não se põe à mesa". Põe-se, sim. E, não só põe, como alimenta bastante. Os sentidos trabalham juntos e a visão de uma comida bonita estimula o paladar e o olfato. Das coisa bonitas que havia lá: cheesecake de frutas vermelhas com ricota e groselha fresca em pencas na sobremesa; banana com caju e dendê, taioba e queijo coalho; e a torta de amêndoas para o café. Esta, em especial, fez meu coração vibrar de alegria. A Índia enfrenta problemas gigantescos, mas a beleza tem lugar garantido e acredito que isso é um ponto essencial na manutanção da alta vibração que se encontra por lá. Mandalas espalhadas pelas ruas, flores nos cabelos das mulheres, chapatis cheirosos por toda ela. Foi nesse contexto que comprei, na rua, aros desenhados com mandalas incríves em peneiras finíssimas por onde passam os pós coloridos para o desenho de mandalas no chão das ruas e casas. Pensei que poderia usar aquela idéia na decoração de alguma coisa na cozinha. Inaugurei no evento de sábado, em grande estilo: quando se levantou o aro da peneira finíssima por onde eu brinquei de passar os meus no açúcar de confeiteiro, o desenho estava integralmente na torta. Perfeito e lindo. Eu pulei de alegria e chamei todos na cozinha para virem ver. Antes de servir, a dona da festa entrou na cozinha e não acreditava em tamanha beleza. Foi uma injeção de alegria em todos nós! O relógio já marcava uma da manhã quando o café foi servido com a torta maravilhosa. Naquele dia, comi pouco, mas me empanturrei de alegria com a torta linda. Beleza se põe à mesa, com certeza. Boa semana!
A comunidade ligada à gastronomia, amadores ou profissionais, vem utilizando queijos Balkis em suas receitas. Isso aconteceu de forma tão gostosa e natural que resolvemos criar este blog. Assim, aqueles que gostam de gastronomia, em qualquer nível, podem trocar receitas, dicas e opiniões. Sejam muito bem-vindos!
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
domingo, 10 de agosto de 2014
Pais, feliz dia!
Hoje meus filhos presentearam seu pai com imagens antigas. Foram atrás de um projetor e limparam slides antigos que desfilaram na parede cenas com o avó, pai do pai, que eles não conheceram. O meu pai, também eles não conheceram. Mas, pensei o quanto esses dois avós fazem parte da vida deles e também da pequena Marina, que já é a terceira geração. O cheiro da salsinha quando cortada e do queijo derretido escapulindo pelas beiradas da omelete que a minha neta adora também me construiram: era um momento de alegria na minha infância, quando depois da refeição cheirando a salsinha e queijo derretido meu pai me colocava no colo. Suas pernas eram gigantes e eu me sentia perfeitamente acolhida e confortável. O pai do meu marido era dono de vacas e produtor de queijos e, até hoje, um dos hits do café da manhã aqui em casa é receita dele. Chama-se "virado de queijo" e, segundo conta meu marido, que aprendeu a receita com o pai, é comida de tropeiro levando o gado de um lugar ao outro nas Minas Gerais. Outro dia escutei uma criança perguntar para a mãe, em relação a própria avó: " Mamãe, por que você tem mãe?". E a mãe responder: "Porque todo mundo tem que ter pai e mãe para poder existir". E, mesmo que eles já não estejam mais por aí, deixam seus deliciosos rastros em cotidianidades aparentemente desimportantes: salsinhas cheirosas e queijos derretidos com farinha de milho são elementos vivos e presentes com frequência no meu dia a dia. E a boa sensação que isso provoca vem de um lugar dentro de mim, que ultrapassa a cozinha: confiança e alegria na vida aprendi com meu pai quando era ainda muito pequena. VIrado de queijo vem do universo mais que afetivo da parte do meu marido e tem lugar cativo na vida dos meus filhos. Sou grata por isso, sempre. Feliz dia dos pais à todos aqueles que plantam boas coisas nos corações de seus filhos.
domingo, 3 de agosto de 2014
Comer e poder: valores humanos postos à mesa
Está acontecendo em Parati, Rio de Janeiro, a 12 Flip, Festa Literária Internacional de Paraty. E o que isso tem a ver com os cozinheiros? "De onde vem a comida? Há 75 anos essa pergunta teria sido irrelevante, pq todo mundo sabia de onde vinha a comida. Hoje, nossa comida vem de caixinhas" e "Cozinhar é um ato político importante. Ao escolher os ingredientes para cozinhar, você vota naqueles que prefere. Ao comprar o alimento pronto, você abre mão destas escolhas e deixa que a indústria decida por você." Pronto! Já tem tudo a ver com todas as pessoas, não só aquelas que são cozinheiros e interessados, mas todos os seres humanos: para atravessar a experiência humana, por enquanto, a regra é que precisamos retirar energia dos alimentos. O autor das frases acima é o jornalista Michel Polan, escritor de vários livros relacionados à produção e consumo de alimentos e o que isso implica. Está lançando na Flip o livro "Cozinha", editora Intrínseca, e falou essas pérolas aí de cima. E outras, que você pode ver aqui
Essas reflexões, trazidas para o dia a dia, nos fazem dar conta da imensa responsabilidade que temos ao fazer nossas compras. Há 75 anos atrás todos sabiam o que comiam. Hoje, a sociedade se complexificou, vivemos em imensas cidades com estruturas de abastecimento para milhões. E a cadeia de produção de alimentos, muitas vezes, lança mão de estratégias pouco lícitas (abuso no uso de agrotóxicos , condições de trabalho questionáveis na agricultura, pecuária e indústria, conservantes na produção e uma lista enorme de problemas). Esse lado chega na sua mesa e, não só isso, você investe nele quando compra. O outro lado também é bizarro: por exemplo, em um evento de comidas orgânicas não se pode servir um suco a base de água de coco porque não se encontra um produtor de coco com certificação orgânica. Ou, pão de queijo: não tem polvilho certificado. Mas existem muitos pequenos produtores de coco e de mandioca que não possuem certificado e que são guardiões de sua terra e de seu produto como se eles fossem um braço real. Entendo a necessidade do consumidor em ter garantido que o um produto consumido seja assim e não assado. E, para mim, essa é a questão principal: o desafio de construir um ambiente em que o ser humano seja o valor maior. Maior que o dinheiro, maior que o comércio. E que possamos ter a verdade como denominador comum. Se a indústria utiliza produtos nocivos, que isso fique claro, para que o consumidor possa optar sabendo do que se trata. Qual seria a cuidadosa mãe que daria para seu filho um biscoito com quantidades de açúcar e óleo suficientes para deixá-lo obeso, se ela soubesse disso? E que, aquele que tem em sua consciência a grandeza da cadeia produtiva toda possa se apresentar como tal, também. Senão, é a ditadura da grana, que como disse Caetano Veloso, " destrõe coisas belas". As mais belas.
Todos precisamos viver. Mas, imagine se reestabelecessemos um dos princípios maiores da vida: será que precisaríamos ter tanta grana, consumir tantas inutilidades, comer tanta porcaria, viver em cidades tão difíceis e mentir sem parar? Acho que continuaríamos a ganhar dinheiro, mas a vida seria bem melhor. E à mesa? Bom, na sua você iria, - com direito a toda verdade -, escolher o que e como colocar.
Se você se interessar, leia o Michel Polan. Ele tem coisas a dizer sobre o que chega no estômago e passa antes pela terra, pelas mãos e pelas intenções de quem produz e vende. O meu pão de queijo fui eu mesma quem fez, com polvilho não certificado, mas totalmente orgânico, e queijo industrializado Balkis. Porque, quando tudo está às claras, a vida é muito melhor. E junta a família para comer e degustar muitos significados, além do pão de queijo em si. Que ficou bem bom.
domingo, 27 de julho de 2014
Frio e família em São Francisco Xavier
Nem dá prá acreditar, mas o frio existe e a chuva também. Demorou, mas chegou. E a vontade de chocolate quente, cobertor e aconchego veio junto. Eu estava em São Francisco Xavier, onde os tons de verde só faltavam falar e a comida do Chef Thomposon Lee aqueceu não só o coração. Fez tanto frio que foi difícil de esquentar. Confesso que tive que reunir forças para sair da casinha linda onde estava e descer até a cidade. Só fui mesmo porque conheço o nível da comida do Thom, sabia que ele ia me fazer um missoshiro sem hondashi muito quente e delicioso, e para conversar com a Geisa, - que é a mulher dele -, e para ver a carinha dos filhos deles. As crianças nasceram e cresceram correndo pelo restaurante, que é a casa deles. E o maior deles já estava ajudando no serviço das mesas. A família sempre está toda lá e o sabor da comida tem disso tudo, junto com o talento do Thompson. Já falei dele aqui (e não me canso de falar que a comida vale a viagem)
, e voltei para a fazenda de barriga cheia e feliz.
Na volta, em Monteiro Lobato comprei doce de leite para comer com queijo branco na loja de dos doces caseiros que valem bem a pena. Passando pela região, saiba que o melhor restaurante asiático mora em São Francisco Xavier e o doce caseiro está alguns quilômetros à frente. Já que a temporada de inverno chegou, fica a dica para quem se aventurar nas montanhas.
domingo, 20 de julho de 2014
Aprendendo com as abelhas
A cidadezinha parece um desenho e os dois anfitriões a melhor parte da pintura: é Cunha, interior de São Paulo; ela é a Fabi, e ele, o Marcos. Fui para um trabalho de final de semana e encontrei dois apicultores, vindos de Minas para Cunha, por conta de uma vegetação chamada "de pasto sujo". Ela é rica em uma planta chamada bacaris, um alecrim nativo, de onde se extrai a própolis verde que é riquíssima em flavonóides. No primeiro ano em Cunha eles chegaram com suas abelhas e deram formação para a comunidade local interessada em apicultura. Hoje, o trabalho tem parceiros com pequenos e grandes proprietários de terras, com caixas de abelhas espalhadas por toda região. Por conta disso, neste ano, recolheram 10 toneladas de um mel puríssimo e orgânico. E o foco deles, nem é o mel, é a própolis, e a de melhor qualidade. A própolis é a resina que recobre a colméia e, sobre ela e suas propriedades, você pode se informar bastante aqui. Mas o mel, minha gente, é maravilhoso. Trouxe dele para a família toda e se você é daquelas pessoas que adora mel, não perca. A Fabi e o Marcos aprenderam com as abelhas como é que se coopera para realizar uma tarefa linda: o mel que eles comercializam traz esse espírito no sabor. Amanhã vou usar ricota para um doce com muitas castanhas e mel prá lá de especial.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Comida para inglês ver e comer

Durante a copa do mundo sofri vários olhares de estranheza. Na minha própria casa, escutei que eu era uma "alienada"! Mas, a copa tá acabando e não tenho culpa de me interessar zero por futebol...não machuquei ninguém e não fui machucada também. Em compensação, li uma matéria sobre "o que mais impressionou os estrangeiros no Brasil", e vi que praticamente todas as pessoas entrevistadas se referiram à comida e a relação que os brasileiros têm com ela. É bem verdade que qualquer motivo junta duas pessoas para um pão de queijo ou , no mínimo, um cafezinho. Isso é mesmo parte de uma identidade cultural. É divertido se reconhecer em algumas dessas falas:
- Achamos estranho ver que aqui vocês comem coração de galinha.
- Foi muito especial ver que cada estádio servia a comida típica da região. E todas eram muito gostosas.
- Arroz com feijão. No início pensei: “É sério isso?”. Mas acabei achando superdelicioso.
- Pão de queijo. Tão bom! Adorei.
- Os brasileiros adoram dar comida para as visitas. É a forma deles cuidarem de você.
- Quando cheguei aqui, me perguntava por que todo mundo colocava areia na comida. Depois provei e vi que tinha gosto de bacon. E finalmente comecei a colocar farofa em tudo.
- Vocês comem MUITO. Muito mesmo. Passei uma semana com uma família brasileira e sempre tinha alguma comida ou fruta na mesa.
- Adorei o queijo coalho com orégano na praia! E o milho também! Todo dia eu comia.
A copa ainda não acabou e os estrangeiros já estão indo embora. Nós, que ficamos, sabemos bem disso tudo aí em cima e de muito mais. Para o final de semana, ainda de muita gente comendo junto tendo como pretexto o jogo de futebol, vão aí uma dicas: queijo coalho Balkis com zattar ou tomilho e um tomatinho assado.. Pão de queijo com queijo minas frescal Balkis, se você quiser produzir uns petiscos. Se o tempo não der, serve o queijo coalho Balkis que tem com orégano e com orégano e pimenta. E insisto, o futebol é só o pretexto para comer...bom final de semana.
domingo, 6 de julho de 2014
Domingo simples
Hoje o dia amanheceu azul demais. Quando abri a janela e olhei o céu pensei em aproveitar muito o domingo. Foi o que fiz com a manhã! Mas, a fome bateu e não estou para comer qualquer coisa, não. Aliás andei indo a alguns restaurantes que melhor seria ter ficado em casa...como quero continuar desfrutando dessa luz maravilhosa do inverno quente e desértico fiz um almoço ajato: salada de arroz vermelho com erva doce, cenoura, salsinha e castanha do pará e abobrinhas recheadas com ela própria, quínua, tomate, farinha de milho, alho porro e queijo mussarela Balkis.
Foi simples: o arroz cozinhou na panela de pressão e esfriou na vasilha de inox no congelador. Foi temperado com tudo o que ia nele mais limão, azeite e sal. Na hora de servir temperei queijo cottage Balkis com azeite e sal com ervas e coloquei um pouquinho por cima. Ficou lindo!
Segundo prato: cozinhei um pouquinho de quínua com uma folha de louro. A abobrinha, cortei ao meio e retirei o recheio raspando com uma colher. Tomate e alho porro cortados em cubos, refogados com azeite e o recheio da abobrinha. Escorri a quínua e incorporei ao restante com uma colher de farinha de milho para ligar tudo.Passei azeite e sal nas cascas das abobrinhas. Ralei um pouco de queijo mussarela Balkis , misturei ao recheio e enchi as barquinhas; papel alumínio nelas e forno quente por 15 minutos.
Como minha filha me ajudou, a salada de folhas já estava pronta quando tudo chegou à mesa junto com o suco maravilhoso de limão cravo ou cavalo(aquele cor de laranja) com leite de coco...
Ficou tudo tão gostoso que decidi dividir com vocês. Ideias para o desfrute: do tempo livre e da comida boa.
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