sexta-feira, 29 de abril de 2011

Reinvenções: biscoito de queijo



Na semana passada, viajei. Fui passar a páscoa com minha sobrinha querida, lá na Chapada dos Veadeiros, Goiás. Combinamos de fazer lasanha, porque há mais de um ano eu tinha levado de presente para eles um cilindro italiano que estava, até a semana passada, esperando inauguração.
A lasanha começou com bronca! Meu marido se pergunta porque é que eu carrego comida aonde quer que eu vá... Lá é difícil achar a farinha de grano duro (por isso a máquina não tinha sido inaugurada). Levei minha balança para pesar a farinha e também mussarela Balkis. Escutei um montão, mas já não ligo mais...
E, no sábado, fui fazer uma daquelas maravilhosas trilhas dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Não me canso de admirar a beleza daquele lugar. Chão de cristais, águas cristalinas, flores só encontradas lá, de delicadeza inacreditável, borboletas azuis gigantes. É incrível! Duas informações que eu acho estonteantes: 33% do bioma brasileiro está concentrado no cerrado, e a chapada dos veadeiros vista em fotografia de satélite é o local que mais brilha no planeta: subsolo em cristais de quartzo.
Tive o privilégio de ficar hospedada com o multiartista Bené Fonteles, de quem ganhei um livro lindo chamado “Nem é erudito nem é popular: arte e diversidade cultural no Brasil”, que é um apanhado sobre as várias manifestações artísticas Brasil afora. Diverso e encantador. Aí disse pra ele que a minha visão sobre a gastronomia era muito semelhante à dele sobre a arte, e concluímos que é tudo a mesma coisa. Diferentes formas de expressão para dar vazão ao gênio criativo e reinventivo do povo brasileiro.
Vai daí que, depois de caminhar o dia todo pelo parque e tomar banho de cachoeira em água translúcida, no caminho de volta o assunto era comida, claro! Todo mundo com fome! Nesse passeio, um grupo de 14 pessoas, 10 eram goianas. E foi o desfile de variedades: galinhada com pequi, empadão goiano, guariroba que é um palmito amargo até o último fio de cabelo, típico da região e que, descobri, não agrada muito aos goianos, não. Cada um faz deum jeito, trocaram receitas num desfile de variedades regionais embalando o paladar para a refeição na hora da chegada.
Voltei pensando nisso, e quando cheguei no vilarejo encontrei a Ana, chef de cozinha recém chegada de temporada de cursos na Espanha. Foi ela quem me apresentou o delicioso biscoito de queijo, feito a partir de polvilho e queijo com resultado totalmente diferente do pão de queijo. Atestei! É uma reinvenção constante!
Quis muito a receita do biscoito de queijo para postar aqui pra vocês. E o máximo que conseguimos saber, através da Dona Chiquinha, moradora do local, é que é assim: quantidades iguais de polvilho e queijo, não em peso, mas em volume. Ovo para dar liga em tudo, e forno.
Não consegui tempo ainda para experimentar e quando fizer passo as quantidades direitinho. Por enquanto, fica a foto e o meu depoimento de que é muito bom.
Meu feriado não terminou em pizza, mas em lasanha que ficou uma delícia feita a muitas mãos...E aí, não teve cara feia. Valeu carregar a farinha, a balança e a mussarela Balkis...